por NACHO BELGRANDE

Guns n' Roses At The Troubadour

Na nova edição da revista inglesa CLASSIC ROCK, cuja capa repassa o ano de 1989 na carreira do GUNS N’ ROSES clássico, o ex-empresário – e um dos grandes catalisadores do sucesso da banda – ALAN NIVEN é bastante sucinto quando discorre sobre a dinâmica da estrutura do grupo, e como o guitarrista e compositor IZZY STRADLIN era a mola musical propulsora da banda.

O que segue abaixo é a tradução do texto de Niven.

[...]

Aquela banda era de Izzy… pelo menos esse é o meu entendimento.

Iz se mudou pra cidade grande primeiro. Ele fez a mala e foi forjar a pedra fundamental de uma banda. Couro de cascavel ou não, você sabe que aquela mala estava gasta e fedida, não lustrosa, como uma Halliburton novinha de Tim Collins.

Axl seguiu Izzy tão logo ele estivesse instalado em Los Angeles – uma mamata fácil. Ele então voltou para Lafayette. Ele não tinha as manhas para Los Angeles, de acordo com Iz. Ele ficara aliviado. Ele me disse depois que ele não queria lidar com Axl, que ele conhecia desde o ensino médio. Axl não sabia lidar com cidades pequenas tampouco, então ele se mudou pela segunda vez, carregado como um trem [‘loaded like a freight train’] com toda sua bagagem. Iz não ficou nem um pouco animado. E assim ficou. Na terceira parada da primeira turnê nacional do grupo, abrindo para o The Cult, Izzy bateu à porta do meu quarto de hotel. Ele passou por mim e se jogou no sofá.

“Aquele filho da puta torna nossa vida miserável todo santo dia”, ele grunhiu.

Axl nunca foi fácil, mas ele tinha aquela voz, uma voz que cheirava a revolta e raiva do jovem branco do meio-oeste. Ele tinha aquela postura que exaltava ao individualismo e a todo ser humano. Especialmente a ele próprio.Se isso era o que Axl trazia à mesa, com o que é que Izzy contribuía? Ele contribuiu com ‘Nightrain’, ‘Mr. Brownstone’, com a doce levada de ‘Jungle’. Quando Mike Clink chegou ao limite, exausto das sessões de ‘Appetite’, um Tom Zutaut preocupado pediu que eu checasse as gravações.

“Mike não sabe consertar uma mixagem. Você acha que as fitas estão boas, Niv?”

Eu pedi a ele que me mandasse ‘Brownstone’, de Izzy. Michael Lardie e eu preparamos a mesa de som no Total Access para fazer uma mixagem nas coxas. Colocamos a fita de duas polegadas. Tava lá. A levada, a pegada. Conseguimos arrumar uma mixagem em quatro horas. Clink estava com a fita na mão. Estávamos tranquilos.

A primeira vez que vi Izzy foi no palco do Troubadour. Ele tinha uma graça natural no modo em que segurava sua Gibson. Ele tocava suas partes de base com uma indiferença perfeita, sabendo exatamente quando ele deveria deixar um espaço, desacelerar a levada. Eu tenho uma foto em minha parede de Izzy tocando com Keith Richards e Ronnie Wood. Eles na só tocam de modo parecido, eles parecem filhos da mesma mãe. Imaginem os Stones sem Keith.

Izzy tinha a sabedoria casual de não se inserir na obediência cega da vida de um conformista. Por mais que C.C. Deville ou o Bon Jovi possam ter forçado a barra para parecerem foras-da-lei do rock n’ roll, izzy nasceu assim. Suas letras possuíam uma veia que não soava artificial, com termos usados nas ruas. Quando o Guns ficou acertado de abrir para o Aerosmith, Izzy veio até mim preocupado.

“Niv, isso pode parecer meio estranho, mas eu vendia heroína para Joe e Steven.”

“Não se Preocupe, Iz. Se você não falar nada, eu tenho total certeza que eles também não dirão.”

Izzy saiu do GN’R três meses depois de eu ter sido dispensado por Axl. Iz me achou, de algum modo, quando eu estava com o The Whites em Winterthur, Suíça.

“Eu não aguento mais aquilo”, ele disse. Um tumulto quase havia ocorrido em um show do Guns na Alemanha. Rose tinha saído do palco por alguma razão, e Izzy ficou apavorado com a ideia de policiais quebrando crânios á pauladas. Ele tinha arrepios. A pressão calcinante e a exposição e a expectativa e a fama, as ansiedades que Rose gerava, não valiam a pena pra ele. Aquilo o estava consumindo. Ele ia pedir as contas ali. Ele não queria tocar no show de encerramento da turnê no estádio de Wembley.

“Você não pode desapontar aos fãs e aos outros desse jeito, Iz. Você não é o vilão da história. Não seja visto como tal.”

Eu reservei e paguei por uma suíte no hotel Hilton do Estádio de Wembley onde Izzy poderia descansar, longe da coxia, e esperar pra ver se Axl ia aparecer. Foi só quando ele soube que Axl estava no local que ele se juntou aos outros para sua última apresentação como membro da banda que foi, em sua maior parte, construída a partir de uma visão sua, suas músicas e seu estilo.

Era a porra da banda do Izzy. Izzy era o único no qual eu podia confiar para tomar uma posição em um segundo – a dele sempre se baseava no ponto de vista incontroverso que melhor servia à banda. Ele os mantinha com os pés no chão com sua postura rock n’ roll irrepreensível habitualmente mantida em seu modo de tocar e compor. Izzy tinha dado coração gelado para a alma quente da banda.

Quando a banda foi agraciada com o Rock n Roll Hall Of Fame, Izzy marcou uma reunião com Axl em um hotel de Los Angeles. Ele queria chegar a um acordo para que a banda original tocasse por uma última vez – fazer a porra da reunião ali naquele momento e depois dizer, ‘obrigado, tenham uma boa noite’. Depois de esperar por duas horas por Axl, ele foi de carro para sua casa em Ojai. Axl não deu as caras e tornara sua vida miserável mais uma porra de vez.

Uma banda é como uma molécula química. Nem todos os elementos são do mesmo tamanho, força ou energia, e a percepção nem sempre define a significância, mas remova o menor grão dela e a molécula entra em colapso. Quando Steven pirou e foi demitido, isso afetou a pegada da seção rítmica, o barato acabou, mas quando Izzy saiu, aquilo significava que a banda não era mais o Guns N’ Roses que eu conhecia e amava,a banda na qual eu me viciei. Era só como [na música] ‘Dust N’ Bones’ – ‘Just fuckin’ gone. ’

Como eu disse, se era de alguém, a banda era do Izzy.

[...]

Para ler mais sobre o envolvimento de Niven com o GN’R, leia a sequência de matérias ‘Guns N’ Roses: o sucesso que a mídia forjou e destruiu ‘ nos links abaixo:

 

por NACHO BELGRANDE

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Dentre todas as bandas do Thrash Metal oitentista – em especial as do quadrangular comercialmente apelidado de ‘Big 4’ – oMETALLICA, graças a uma eficaz estratégia e planejamento de carreira sempre presentes na trajetória da banda, foi a que soube se sedimentar no gosto coletivo do público brasileiro com antecedência, tornando-se uma quase unanimidade do segmento ainda underground que acompanhava o movimento musical naquele tempo.

A vinda do grupo ao Brasil ainda em 1989 [quando não se apresentou em nenhum outro país da América do Sul] já transparecia o status de relevância que a banda vinha obtendo, e se naquela turnê ainda não havia cobertura por parte da grande mídia, os músicos tiveram o que talvez tenha sido seu primeiro contato com o estrelato: num episódio que se tornou parte da história do Metal no país, uma visita do frontman JAMES HETFIELD ao outrora âmago do comércio de Metal da capital paulista – a WOODSTOCK DISCOS – a animação dos fãs da banda chegou a patamares de Beatlemania, causando um tumulto no centro da cidade que surpreendeu [e apavorou!] ao guitarrista, e sua saída estratégica fez-se necessária para que um incidente mais sério não ocorresse.

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Aquilo marcou a fincada da bandeira da banda no território brasileiro, chegando antes do MEGADETH [que só viria em 1991], doANTHRAX [1993] e do SLAYER [1994]. Desde então, a relação do público do país só se intensificou, e o que antes se restringia ao foco da Rock Brigade [RIP], do Caderno 2 e de poucos parágrafos da Bizz [RIP] agora é transmitido para todo o planeta e em rede nacional de televisão.

Com a volta do Metallica ao continente Sul-americano essa semana com a turnê ‘By Request’, o capítulo oficial brasileiro do Fã-Clube da banda, o BRAZILIAN MILITIA, aliou-se ao Manifesto Rock Bar em São Paulo, de propriedade do empresário argentinoSILVANO BRANCATI – ele próprio um apaixonado pela banda – para o primeiro METALLICA DAY brasileiro.

O ‘Dia do Metallica’ foi proclamado originalmente em março de 1999 pelo prefeito de São Francisco, cidade que o grupo escolheu para viver e traçar sua ascensão ao Olimpo da música. A iniciativa de celebrar a data é uma iniciativa do Brazilian Militia e do Manifesto com o apoio da gravadora que representa o grupo no país, a Universal. O dia será marcado por um evento no Manifesto no dia 21 de Março, quando três bandas tributo à locomotiva Thrash revisitarão parte do catálogo da banda, cada uma com um set list e uma proposta diferente. A Universal sorteará prêmios aos presentes. Também prestigia a festa a Editora Ediouro. Com a colaboração do Fã-clube oficial, a facção brasileira sorteará camisetas, merchandise exclusivo, revistas importadas, palhetas e adesivos.

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O Brazilian Militia nasceu em 2011, quando um grupo de 15 patrícios foi contemplado com acesso ao festival de quatro shows de comemoração dos 30 anos de atividades do grupo em São Francisco. Esses fãs criaram uma comunidade no Facebook para trocarem informações sobre a viagem. Alguns integrantes desse esforço foram ao México e Canadá para testemunhar a turnê ‘Full Arsenal’, que daria origem ao filme 3D ‘Metallica Through The Never’. Na capital mexicana, eles confabularam com o capítulo local – o ‘Mexitallica’- e propuseram-se a fundar uma representação do MetClub no Brasil, intuito para o qual receberam autorização da banda no dia 14 de Setembro de 2012. Nascia ali o BRAZILIAN MILITIA LOCAL CHAPTER.

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O Militia [como é chamado pelos membros] é administrado pelo jornalista THIAGO MOURA, que não mede esforços para assistir a seu grupo favorito, e seguirá o Metallica por toda a América do Sul após a apresentação em São Paulo. Necessariamente, só podem participar do Brazilian Militia pessoas que já sejam cadastradas junto ao MetClub estadunidense, o que lhes confere o direito de concorrer a ‘meet and greets’ com a banda [com os quais Moura já foi contemplado - vide fotos abaixo].

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Sob a batuta dele, o capítulo organiza eventos diversos visando unir os admiradores da banda californiana, frequentemente tendo o Manifesto de cenário. À ocasião do Rock In Rio 2013, a assembleia deu-se no Calabouço Rock Bar, no bairro carioca da Tijuca. Os abnegados asseclas também já marcaram presença nas duas edições do festival Orion Music And More [2012 e 2013], no Rock In Rio Lisboa, no Rock Am Ring alemão, além dos já citados concertos no México, Canadá e a grandiosa temporada no Fillmore Theatre.

Brazilian Militia representando no Fillmore Theatre de Frisco

BRAZILIAN MILITIA REPRESENTANDO NO FILLMORE THEATRE DE FRISCO

Outro correligionário de destaque do Militia é o mineiro MARCOS QUEIROZ, um dos maiores colecionadores de Metallica do mundo, aliciado pelo som da banda desde 1997 [curiosamente, quando, com o lançamento de ‘ReLoad’, achavam que o grupo estava alienando seus fãs, enquanto na verdade, angariavam outros tantos].  Queiroz possui uma coleção única no Brasil, com quase 1000 registros audiovideográficos, além de uma imensidão de merchandise e memorabilia, dentre a qual um fragmento da estátua de Doris.  Queiroz já esteve em treze shows da banda, e foi contemplado com um convite do MetClub para assistir ao ensaio da turnê do álbum ‘Death Magnetic’ em 2008, contudo não conseguiu obter visto de entrada nos EUA a tempo. Uma vez devidamente credenciado pelo consulado daquele país, Queiroz embarcou e matou o que lhe matava: assistiu a três performances na Califórnia, esteve em todo o percurso do grupo no Brasil em 2010, bateu ponto no Rock In Rio 2011, esgotou sua cota de sorte para essa encarnação com três shows no Fillmore, foi testemunha ocular do primeiro Orion Music [onde ele assistiu ao show de dentro do lendário ‘snakepit’] e voltou ao megalômano festival de Roberto Medina ano passado. Ele já se programou para ver cinco shows na América do Sul nas próximas semanas.

Queiroz em frente à casa onde tudo começou

QUEIROZ EM FRENTE À CASA ONDE TUDO COMEÇOU

O mineiro com o baixista original do Metallica, Ron McGovney

O MINEIRO COM O BAIXISTA ORIGINAL DO METALLICA, RON MCGOVNEY

Queiroz e Torben Ulrich, pai de Lars

QUEIROZ E TORBEN ULRICH, PAI DE LARS

‘Mineiro’, ele negocia bastante antes de adquirir qualquer item para seu acervo pessoal, mas não se furta de aplicar a filosofia ‘mais vale um gosto do que um conto’ quando quer: já chegou a gastar dez mil reais em uma única viagem aos EUA para ver a banda, e cada um dos cobiçados ‘knobs’ produzidos pelo grupo lhes custou 500 reais [ele tem cinco, sendo dois deles autografados]. Abaixo, algumas fotos da bela audiovideomemorabilioteca dele:

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O Brazilian Militia também dissipa a equivocada noção do populacho que esse tipo de agremiação seria integrado única e exclusivamente por office boys da periferia trajando camisetas pretas fubentas: quase metade dos sectários é do sexo feminino. E não falamos aqui de mulheres de bigode ou com cabelos pintados por coloristas graduados no Instituto Benjamin Constant do Rio de Janeiro.

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Uma delas é a fisioterapeuta das Minas Gerais FERNANDA B. FERREIRA. Devota do quaternário desde 1987, quando ouviu o álbum ‘Ride The Lightning’ por intermédio de um amigo, ela pertence ao hall dos que não se intimidam diante dos altos custos que envolvem ver as apresentações do Metallica com produção completa [aquelas que nunca chegam ao Brasil...], e, com os recursos de avançada engenharia financeira, já esteve em onze concertos de Ulrich ET AL, sendo seis em território doméstico e cinco nos EUA [dois no Orion Music e três no Fillmore Theatre].

A fisioterapeuta com James Hetfield

A FISIOTERAPEUTA COM JAMES HETFIELD

 

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Fernanda também co-organizou – e integrará- o comboio do Brazilian Militia que peregrinará pela América do Sul nos shows de São Paulo, Assunção, Santiago e mais dois em Buenos Aires. Ferrenha prosélita, seu patamar de comprometimento com a evangelização do ‘Bang The Head That Doesn’t Bang’ é tamanho que, para ir aos shows de comemoração do primeiro trintênio da banda [para os quais embarcou sem garantia alguma de ingresso] recorreu a uma tia para as passagens e endividou-se escorchantemente com instituições financeiras. Ela é uma das partidárias mais ativas do capítulo patrício, e seu único arrependimento é não ter desobedecido aos pais em 1993, quando estes a proibiram de ir aos recitais do quarteto em São Paulo.

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O Brazilian Militia possui um perfil oficial no Facebook que já conta com mais de 3 mil ‘Likes’, e pode ser acessado na URLwww.facebook.com/brazilianmilitia ou contatado pelo email brazilianmilitia@gmail.com.

O primeiro ‘Metallica Day’ brasileiro ocorre nesta sexta-feira, no Manifesto Bar, a partir das 21 horas.

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O vocalista da banda de hard rock/heavy metal mais bem sucedida da história do Japão – o X-JAPAN – Yoshiki Hayashi, está promovendo um concurso cujo ganhador terá direito a uma sessão de Skype com o frontman.

No momento, uma fã brasileira, LETÍCIA FERNANDES, está em segundo lugar no ranking, e sua ajuda pode colaborar muito para que ela seja agraciada com um encontro [ainda que virtual] com Hayashi-san.

Para que Letícia supere a primeira colocada, basta clicar NESTE LINK.

E em seguida clicar no link demonstrado na figura abaixo:

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Você então será solicitado a logar-se com seu Facebook [pode optar por não autorizar postagens dos administradores do site sem seu consentimento] e pronto, ela já coleta sua muito bem-vinda participação.

Caso esteja solícito a ajudar ainda mais, faça log out e repita o procedimento optando dessa vez por logar-se através de seu perfil no Twitter.

Caso Letícia vença, o conteúdo da sessão dela com Yoshiki será registrado e compartilhado. Obrigado!

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Nos dias 11, 12 e 14 de Setembro do ano passado, a lenda do hard rock teutônico, o SCORPIONS, executou dois sets magníficos no Teatro Lycabettus, na cidade grega de Atenas, a 300 metros de altitude. O local em si [construído em 1965, o que o torno contemporâneo da banda] fica na encosta do Monte Lycabettus e proporciona uma vista espetacular da milenar metrópole. Foi desses três shows que surgiu o segundo disco acústico do grupo [o primeiro em parceria com a MTV], ‘MTV Unplugged: Live In Athens’, cuja edição em boxed set de luxo constitui, desde já, um sonho de consumo para aqueles que se interessam pelo quinteto formado atualmente por KLAUS MEINERUDOLF SCHENKERMATTHIAS JABSPAVEL MACIWODA JAMES KOTTAK.

Os dois maiores colecionadores de Scorpions do mundo [a despeito do que um baiano da Bahia possa querer argumentar – nem todo baiano nasce na Bahia; tem um, deficitário de atenção, que é natural de Arapiraca] TICO JACOB e seu herdeiro, ULRICH LA ROCCA JACOB receberam, diretamente das mãos dos empresários dos alemães um exemplar, e foram gentis o suficiente para compartilhar um ‘unboxing’ da caixa conosco.

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Esta edição de luxo de ‘Live In Athens é composta por um CD duplo, um DVD região zero, três discos de vinil de 12 polegadas, um pôster grande, uma bandeira e cinco cartões fotográficos.

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O conteúdo, ou o ‘programa’, do título não poderia ter sido mais bem concebido. Tendo sido gravado pouco mais de dez anos depois do lançamento em CD e DVD de ‘Acoustica’, temos agora um set de duas dúzias de faixas, contudo, quase que completamente diferentes do álbum de 2001. Pra começar, há duas faixas novas, “Dancing With The Moonlight” e “Rock N’ Roll Band” e aqui os três membros mais ‘sólidos’ da carreira do Scorpions, Meine, Schenker e Jabs se revezam, com cada um apresentando uma música sob sua batuta. A instrumental “Delicate Dance”, sob a maestria de Jabs recebe um arranjo surpreendente, que pode ser descrito como a adição de uma guitarra psicodélica como a de DAVID GILMOUR em cima de uma música mais boogie do LED ZEPPELIN. Na balada “Love Is The Answer”, chega o momento – muito raro – de Rudolf assumir os vocais, seguido por Klaus em outra canção lenta, “Follow Your Heart”.

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Sting In The Tail”, faixa-título do álbum de 2010, foi reformatada para uma sonoridade mais cajun, e, não espantosamente, encaixou-se muito bem na pegada rock clássico do grupo, que deriva da cultura musical sulista dos EUA, analogia essa que pode ser aplicada aos outros clássicos tocados aqui, como “Picture Life”, “Speedy’s Coming” e “Born To Touch Your Feelings”, na qual a atriz grega DIMITRA KOKKORI faz um tocante interlúdio falado. Outro convidado surpresa é o vocalista da banda pop norueguesa A-HAMORTEN HARKET, que agrega seus vocais aos de Meine na über-clássica “Wind of Change”.

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MTV Unplugged: Live In Athens” pode ser encontrado nas boas casas do ramo por cerca de US$130 – US$150, mais frete e taxas aduaneiras.

Parabéns à família Jacob por mais esse reconhecimento por parte da banda após mais de 30 anos colecionando e divulgando a obra do Scorpions.

 

03/02/2014 16:01

O Rock Morreu: mas a boa notícia é que ele está embalsamado

Author: NachoBelgrande

As vendas de discos estão caindo, os festivais são encabeçados por um segmento cada vez menor de bandas que envelhecem, e a indústria está cambaleando. Estaríamos testemunhando o fim do rock?

A última edição da revista inglesa CLASSIC ROCK traz uma matéria especial de 25 páginas sobre a ‘crise que assola o rock’, desde ‘a morte do formato álbum’ até as novas ideias que mudam a cena rock de hoje. O rock está de fato morrendo?

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Texto original de SCOTT ROWLEY

‘This is the end, beautiful friend
This is the end, my only friend, the end 
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end…’
The End, The Doors

Vamos começar no lugar mais óbvio: O Fim.

O fim, parece, está próximo. “É estranho, na cultura rock de hoje”, disse BOBBY GILLESPIE do PRIMAL SCREAM ao programa Review show da BBC4 em dezembro passado. “Ela está morta, eu acho. Acabou”. IAN ASTBURY, do THE CULT, enquanto isso, decidiu que o formato álbum também chegou a seu ocaso. Lembrando-se dos dois EPs [‘Capsule 1’ e ‘Capsule 2’] que ele e sua banda lançaram em 2010, ele disse à Rolling Stone mês passado que ele preferiria fazer isso novamente a lançar outro álbum. A gravadora do Cult no Reino Unido, a Cooking Vinyl, contudo, não gosta tanto da ideia. “Eles não estão interessados na ideia de capsulas”, disse Astbury. “Eles querem colocar CDs nas prateleiras. Eu respondo: ‘Mas que prateleiras? ’”

O rock n’ roll morreu,” disse o ex-baixista do BUCKCHERRY e do JU JU HOUNDS de IZZY STRADLINJIMMY ASHHURT em sua conta do Facebook recentemente, “e ninguém está tão puto assim porque nós o colocamos em uma caixa e podemos olhar pra ele sempre que quisermos.” GINGER WILDHEART postou sentimentos similares dias após as atrações principais do [festival europeu] Sonisphere terem sido anunciadas. “Parece que o rock está finalmente respirando por aparelhos”, ele escreveu. “A porta giratória de menos de 10 bandas que aguentam estar no topo de um festival indica, pelo menos pra mim, que já passamos da fase do ‘rock grandioso’.”

As rachaduras não estão apenas começando a aparecer, elas são largas e profundas como as rugas no rosto de KEITH RICHARDS. As lendas estão ficando velhas e, vamos ser realistas, morrendo. Daqui a uma década, podemos mesmo, racionalmente, esperar ver turnês de BOB DYLAN [72 anos de idade], dos ROLLING STONES [membro mais velho: 72 anos], MOTÖRHEAD [Lemmy tem 68],LYNYRD SKYNYRD [Gary Rossington tem 62] ou do ZZ TOP [Billy Gibbons tem 64]? Quem irá lotar estádios, encabeçar nossos festivais e encher casas de shows então?

As velhas estruturas da indústria musical [gravadoras, distribuidores, lojas de discos] estão capengando. Musicalmente, parece haver uma falta de novas ideias, e muita gente reciclando ideias antigas. Bandas novas estão ralando para achar um público. A diversidade de canais de mídia significa que, mesmo que elas sejam tocadas por uma estação de rádio, é difícil chegar a um tipo de público em massa relevante, construir um segmento substancial de fãs. Ser banda de abertura não rende dinheiro, e as gravadoras não dão mais custeio de turnê [subsídio para que a banda caia na estrada]. E, de qualquer modo, os promotores de shows não querem se arriscar com uma quantidade desconhecida quando eles sabem que podem sair ganhando com uma celebração nostálgica.

É altamente improvável que toquemos nos EUA com uma banda desconhecida abrindo para nós, porque os promotores não vão deixar que isso aconteça”, diz JOE ELLIOTT do DEF LEPPARD, uma banda que outrora deu ao então desconhecido THE DARKNESS uma chance de abrir para eles numa turnê pelos EUA. “Os promotores querem que estejamos com o HEART ou o POISON abrindo porque eles sabem que isso vai vender ingressos e é só com isso que eles se importam. No frigir dos ovos, eu não tenho argumentos para dar a eles quanto a isso. Faz sentido, mas não ajuda bandas novas.”

Em 2011, o DJ PAUL GAMBACCINI declarou que “era o fim da era do rock. Acabou, do mesmo modo que a era do jazz acabou.” Será que ele estava certo?

‘Is this the end of the beginning?

Or the beginning of the end?

Losing control or are you winning?
Is your life real or just pretend?’
End Of The Beginning, Black Sabbath

A verdade é que não são apenas os fãs de rock que enfrentam perspectivas apocalípticas. Acredite no que lê, tudo está indo pra merda. Na literatura, o sino fúnebre já tocou pra poesia e para os romances – um modelo datado e ultrapassado, de acordo com alguns, com tramas e histórias previsíveis. Mais recentemente, a popularidade dos smartphones tem causado gritos pelo futuro da fotografia [“É muito estranho”, disse o premiado fotógrafo ANTONIO OLMOS ao jornal bretão THE GUARDIAN um mês atrás. “A fotografia nunca foi tão popular… mas a fotografia está morrendo”].

A indústria do cinema? DVDs e Blu-rays estão tão condenados como o CD, superados pela Netflix e pelo YouTube, e preocupa-se que até a própria arte do cinema esteja sendo comprometida com fórmulas e exibições-teste. “Eu acho que Hollywood alcançou tudo que sempre sonhou”, disse o diretor TERRY GILLAM mês passado. “A plateia agora perece ser muito burra. Eles estão assistindo ao mesmo filme, uma vez depois da outra. Quando eles vão ver um filme, é quase que como ouvir à música pop: você sabe o ritmo, você sabe quando a quebrada vai vir, você sabe quando vai ter uma explosão… as pessoas se atêm ao que as deixa confortáveis.”

Você poderia resumir toda essa raiva e pessimismo ao simples e velho medo da mudança. Eu seu livro sobre pensamento apocalíptico, ‘The End Of Time’, DAMIAN THOMPSON aponta: “Há uma escola de pensamento que advoga que o Mileniarismo [a crença na transformação através do apocalipse] sempre emana do choque das culturas, uma tecnologicamente superior à outra.” E a mudança dos artefatos físicos [no mundo da música, os discos e CDs] para os digitais [MP3, streaming] é certamente isso.

O rock também confronta seu passado. Se você foi um adolescente nos anos 70 ou 80, você tinha umas duas décadas de história do rock para enfiar na cabeça. Os adolescentes agora têm 50 anos de música para desvendar através do Spotify, além de novos sons para descobrir todo dia. Os fãs mais velhos têm as reedições de luxo e shows de reunião para mantê-los ocupados “É assim que o pop vai acabar”, escreveu o fã do gênero SIMON REYNOLDS. “Não com um petardo, mas com um box set do qual o quarto disco você nunca toca”. Um tipo de fobia do futuro se instaurou. O respeito dado às bandas do passado é tamanho [e crescente] que as bandas novas estão danadas: como é que você pode competir com isso?

Enquanto a cultura popular costumava ricochetear de uma moda para a próxima, hoje em dia estamos na era do Mais Do Mesmo, com os web sites que você visita armazenando informações sobre seus gostos e encorajando você a ter, bem, mais do mesmo. “As pessoas que compraram esse produto também compraram… se você gosta disso, você vai gostar disso… você tem ouvido a isso e aquilo ultimamente, por que não experimentar isso…?” O resultado: estatísticas de consumo direcionadas para que você consuma mais.

Os Beatles, The Who e os Kinks – isso já se foi e jamais se repetirá”, disse NOEL GALLAGHER. “No meio dos anos noventa, eram as bandas e um pequeno grupo de fãs que tinham propriedade delas. Agora é o consumidor que manda, então a música vai pra onde o consumidor exigir que ela vá. Não teremos outro punk, ou outra acid house, ou outro Britpop. Isso é fato. Porque o consumidor consegue o que quer, e o consumidor não sabe de merda nenhuma. Se você perguntasse ao consumidor no meio do rock progressivo, o que ele quer para o ano que vem, ele não vai responder que quer Johnny Rotten, vai?

 ‘And in the end, the love you take
Is equal to the love you make’
The End, The Beatles

O que isso quer dizer para nós, os supracitados ‘consumidores’? Bem, você poderia argumentar que nunca passamos melhor. Que agora é o melhor momento da história para ser fã de rock – 60 anos de rock n’ roll, blues e rock pra se esbaldar. Quase todo disco que vale a pena se ter tendo sido relançado e prontamente disponível. Lojas online como a Amazon nos conectam com raridades antes difíceis de encontrar. E música nova excelente por todo canto. Downloads grátis, Spotify, Youtube, Soundcloud e sites como o Noisetrade e o Bandcamp significam que você tem que provar antes de comprar [isso se você por ventura comprar de fato].

Bandas novas, libertas da tirania da moda, não são mais pressionadas para se encaixarem no que as [tradicionais revistas musicais inglesas] NME ou Kerrang! acham que é bom podem fazer seja lá o que diabos elas quiserem. A influência das gravadoras se dissipou. A tentação de uma grande bolada de dinheiro se foi, menos bandas são requeridas por executivos ambiciosos a correr atrás das tendências e a parir um disco ‘eu também’ que soe como o THE KILLERS ou KINGS OF LEON ou seja lá quem for famoso.

Estamos numa transição da cultura de massa para uma cultura ‘configurável’ mais individualista. Os fãs de rock passaram de consumidores passivos de modas ditadas por uma mídia de massa, para pessoas aptas a configurar seu consumo do modo que as agrada, através de playlists e preferências talhadas à mão. É o próximo passo lógico – conseguimos o que queríamos! O álbum de vinil ditava que escutássemos certas músicas por um único artista em uma ordem específica. E quando você se cansava daquilo, a fita cassete permitia que você capturasse os melhores pedaços de álbuns diferentes e as embaralhasse de um modo que [pelo menos você queria que] impressionasse as gatas. O CD queria dizer que você podia facilmente pular ‘Maxwell’s Silver Hammmer’ ou ‘Hats Off to Roy Harper’.

O mundo digital é o próximo passo. Ontem mesmo eu editei duas faixas separadas de uma banda chamada AND SO I WATCH YOU FROM AFAR usando o Audacity e as coloquei em uma playlist de ‘Melhores de 2013’ que tem sete horas e vinte e quatro minutos de duração, até agora [uma confirmação, na que ainda fosse necessária, de que meus dias de impressionar mulheres já se foram há muuuito]. Pense em praticamente qualquer música que você já quis na vida e você pode ouvi-la quase instantaneamente, graças ao YouTube. Você está conectado diretamente com as coisas que você adora – seja prog-metal, stoner rock ou surf punk – e completamente apto a ignorar o que você não gosta [eu realmente não faço deia de como seja o som do ONE DIRECTION]. Fico pensando, qual é a pegadinha?

Bem, talvez a pegadinha seja algo que aprendemos com as histórias em quadrinhos: com grande poder, vem grande responsabilidade. Se estamos no comando, que tipo e cena rock criaremos? Uma que seja sem medo, tenha a mente aberta, progressiva e empolgante? Ou uma que seja prostrada, com a cabeça no próprio rabo e desconfiada? Porque o rock não está morrendo, está apenas mudando. No que ele está se transformando, ninguém sabe. A internet ainda não acabou de confundir nossas cabeças e mudar as maneiras pelas quais descobrimos música.

Parece plausível que o futuro tenha menos grandes bandas, mas é igualmente provável que essas bandas grandes que transitam por mais de um gênero e público sejam as que veremos estrelando festivais. Em 2011, de todas as MP3 compradas individualmente, 74% vendeu menos de 10 cópias cada, enquanto 15% do total de vendas veio de apenas 0,00001% das músicas. Entre esse 74% e o 0.00001%, temos que achar um modelo de negócio que funcione pra todos.

Diz Ginger Wildheart: “O futuro do gênero rock n’ roll existe em um nível mais simples e prático. O excesso acabou, cifras inchadas e abuso de poder têm que ser exterminados sem preconceito, e um futuro mais atingível deve ser adotado que favoreça bandas e artistas menores. Está na hora de algo um pouco mais realista, digo.”

Realista não necessariamente quer dizer malsucedido. A qualidade tende a subir. Mesmo á medida que a influencia dos canais da mídia tradicional perdem força, a natureza humana quer dizer que queremos as mesmas coisas. Em seu livro, ‘Blockbusters’, a professora de administração da Universidade de Harvard ANITA ELBERSE cita que “o fato de as pessoas serem inerentemente sociais, elas geralmente encontram valor em ler os mesmos livros e assistir aos mesmos programas de televisão e filmes que as outras”. Pense em uma série como “Breaking Bad” – um programa que de repente arrebatou a todos. Nos EUA, o último episódio gerou 1.2 milhões de Tweets e 5.5 milhões de atualizações e comentários no Facebook enquanto ele era transmitido, e a audiência subiu 300% ao longo das últimas temporadas. Pode haver pouco espaço para exageros nessa nova ordem mundial, mas estamos mais conectados do que jamais estivemos, e queremos compartilhar. Somos loucos por música. Indicar música boa pras pessoas é o que fazemos. Só precisamos da música boa.

Alguém me perguntou: ‘Qual você acha que é o problema com a indústria musical? ’” DAVE GROHL disse alguns anos atrás. “Eu disse: pegue o disco de Adele. É um disco fabuloso. Todo mundo está tão chocado por ele ser um fenômeno tão grande. Eu não. Você sabe por que aquele disco se deu tão bem? Porque é bom pra caralho e é autêntico… imagine se todos os discos fossem tão bons assim. Você acha que só um deles venderia bem? Não, porra! Todos venderiam bem. Se todos os discos fossem bons daquele jeito, a indústria musical estaria bombando…

Deem-nos a fagulha, e nós vamos incendiar esse lugar.