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O ex-baterista do PANTERA, VINNIE PAUL, alertou os fãs para que não esperem por mais nenhum material inédito depois de a faixa ‘Piss’ ter vindo à tona porque ele não acha que haja mais nada a ser descoberto.

Com certeza esqueceram-se dela”, ele diz da faixa gravada durante as sessões de ‘Vulgar Display of Power’, de 1992.

Por alguma razão, e eu não sei o porquê, nós a deixamos fora do disco. As pessoas na gravadora estavam revirando os arquivos e se depararam com ela. Com muitas dessas faixas tem uma estrofe ali, talvez um refrão acolá. A música está inacabada e os produtores vão e a terminam. Mas essa estava totalmente acabada. E é especial porque eu sinceramente não acredito que haja nenhuma outra faixa não-lançada do Pantera por aí.

25/05/2012 19:29

Phil Anselmo: “Eu me sentia como o Superman”

Author: NachoBelgrande

O ex-frontman do PANTERA e atualmente no DOWN, PHIL ANSELMO falou exaustivamente sobre sua carreira, suas memórias e suas tentativas de redenção junto ao público em uma nova entrevista.

Bem, você sabe, aquele problema antigo nas costas não foi nem um pouco divertido, cara”, ele disse ao site Out Of The Blue. “E ainda tem dias quando essa porra é uma merda. Mas eu acho que há algo dentro de você que cria calo. E você se acostuma. É um calo mental e você meio que bloqueia a parada. Você não pode deixar que isso controle tudo no seu dia.”

Então no que diz respeito a atrasos que tive em minha vida, o problema nas costas foi o pior, cara. Por mais forte que eu de fato me sentisse. Não me entenda mal, há um ponto em minha vida onde, coloque desse modo, hipoteticamente, eu me sentia como se pudesse pular do chão e voar. E eu falo de voar, com o olhos pra frente pelo céu, como o Superman. Mas hoje em dia, quando eu vôo, eu não consigo evitar que meus olhos fiquem no chão um pouco. Talvez haja um pouco de hesitação aí. Eu não estou em excelente forma agora, porque tenho estado no estúdio faz tanto tempo e isso come o seu tempo totalmente. Mas, não se machuque. Jamais machuque suas costas. É um conselho para todos aí.

Em uma nova entrevista com o site estadunidense Loudwire.com, o ex-frontman do PANTERA e atualmente no DOWN, Phillip Anselmo foi perguntado sobre ter algum contato com o ex-baterista do Pantera, Vinnie Paul Abbott enquanto eles trabalharam na reedição de aniversário de 20 anos tanto de ‘Cowboys From Hell’ como de ‘Vulgar Display of Power’, assim como com o ex-baixista da banda, Rex Brown.

Eu ainda converso com Rex”, ele disse. “O lance com Vinnie é triste. Eu não sei como está a cabeça dele. Qualquer um que tenha testemunhado seu irmão ser assassinado a tiros, você não pode… eu não vou julgar ele ou o que ele pensa. Eu lido com isso. Eu não posso e não vou viver nesse passado. Eu tenho que seguir em frente. Como todos nós fazemos, para nossa sanidade mental. De qualquer modo, eu não vou julgar Vince. Mas respondendo à pergunta, essa senhora [empresária] é o elo entre todos nós. A única vez em que eu e Vince estamos perto um do outro é através de e-mails circulares. Nós todos recebemos o mesmo e-mail sobre o que vai ser relançado, isso e aquilo, e damos nossas opiniões e ela trabalha em cima disso. É o mais próximo que chego de Vince, mas Rex e eu ainda somos chegados.”

Sobre o assunto Dimebag e onde está o foco de Phil quase oito anos depois da morte do guitarrista, Anselmo disse: “Eu provavelmente penso nele todo dia. Música é música, mas ele foi uma parte gigante do meu crescimento como músico e parte de minha vida, um irmão, uma pessoa que eu amava. Eu o amava. Eu já disse isso antes. Eu sou do tipo que não consegue ficar no passado e só no passado. Sim, eu segui em frente, pela saúde da porra do meu cérebro, mas há uma parte de mim que nunca vou conseguir me pôr no lugar de uma pessoa que perde alguém por um assassinato. Você não tem como superar isso totalmente. Ele vai aparecer na conversa. Há memórias dele em todo canto. Está por todas as paredes e no estúdio. Eu não me atenho ao negative. Eu posso lembrar de todas as coisas fantásticas que o cara trouxe pra minha vida e pra vida de outras pessoas. Ele era um filho da puta muito bonito como um todo com aqueles olhos azuis penetrantes, olhos que eu posso ver agora na minha mente. Eles eram verdadeiros, amorosos e gentis, e ele era insanamente talentoso.”

Em 1992, o Machine Head e o Stone Sour eram formados, o Metallica e o Guns N’ Roses estavam excursionando por estádios nos EUA quando James Hetfield sofreu queimaduras de terceiro grau em um acidente com a pirotecnia e Axl Rose incitou um tumulto em Montreal. O Rage Against The Machine lançava seu auto-intitulado disco de estreia. O Nirvana vendia cerca de 300 mil cópias de ‘Nevermind’ por semana. E o Pantera mandou o ultrapesado VULGAR DISPLAY OF POWER.

Por Malcolm Dome e Jon Wiederhorn para a revista CLASSIC ROCK

Traduzido por Nacho Belgrande

Oriundo de Dallas, Texas, o PANTERA tinha começado como uma banda glam, iniciando suas atividades tocando covers de Kiss e Van Halen. Os três primeiros discos – ‘Metal Magic’, de 1983, ‘Projects In The Jungle’, de 1984, e finalmente ‘I am The Night’ de 1985 – eram essencialmente centrados no gênero ‘big hair’. Mas daí houve uma mudança radical.

Em 1987, o vocalista Phil Anselmo juntou-se aos membros fundadores [e irmãos] Diamond Darrell [guitarra] e Vinnie Paul [bateria], além do baixista Rex Rocker. Um ano depois, o disco ‘Power Metal’ apresentou a banda para o cenário thrash, e isso foi levado a outro nível, quando depois de assinarem com uma gravadora grande [a ATCO], o Pantera se reinventou com seu primeiro êxito, ‘Cowboys From Hell’, de 1990. Nessa época, Rex Rocker tinha virado Rex Brown, e Diamond Darrell agora era Dimebag Darrell. O disco, acima de tudo, estabeleceu a reputação do Pantera como uma nova força na cena.

Em ‘Cowboys From Hell’, nós conseguimos excursionar com algumas bandas do caralho, como o Judas Priest, Exodus, Sepultura, Suicidal Tendencies e Prong”, lembra Vinnie. “E isso nos levou a outro patamar. Nós vimos nossa música arrebentar, e eu acho que isso nos catapultou para o que fizemos em ‘Vulgar Display of Power’”.

O que o Pantera faria agora, o sucessor de ‘Cowboys…’ foi construído a partir do momento que aquele disco tinha sido sedimentado na imaginação das horas do metal. Tal como o produtor Terry Date diz, “o Pantera queria fazer o disco mais pesado de todos os tempos”.

A banda escolheu gravar no Pantego Sound Studios, de propriedade de Jerry Abbott o músico e produtor country – pai de Vinnie Paul e Dimebag.

Quando começamos a trabalhar em ‘Vulgar…’, Phil e eu achamos esses apartamentos bem vagabundos bem do lado do estúdio”, lembra Rex. “Fizemos um buraco na cerca, daí podíamos ir andando direto pro estúdio”.

Rita [Haney, namorada de Darrell] também tinha um desses apartamentos e Darrell e Vinnie ainda estavam na casa da mãe deles, mas eles tinham carros, então podiam ir pra qualquer lugar. Eu e Phil estávamos quebrados, então eu comprei uma bicicleta. Eu ia com ela até essa loja de conveniência, e nós conhecíamos um cara que trabalhava lá e separava cerveja e sanduíches para nós, pra que tivéssemos algo pra comer quando terminássemos o trabalho todo dia”.

A banda estava tão ansiosa para fazer aquilo funcionar que até começou a trabalhar sem o produtor.

Nós tínhamos [as faixas] ‘A New Level’, ‘Regular People [Conceit]’ e ‘No Good [Attack the Radical]’ em demos antes de Terry aparecer”, Vinnie diz agora. “Nós queríamos adiantar as coisas. Nós já tínhamos até começado a trabalhar em cima dos tons, e estavam muito bons, mas quando Terry apareceu, nós afinamos a coisa pra valer”.

Para nós, o Heavy Metal tinha que soar como uma máquina. Então nós trabalhamos duro para que fosse como uma serra abrasiva. A guitarra tinha que ter o som de uma motosserra, e a bateria tinha que ter uma certa pegada, e eu lembro de Dime e Terry passarem muitas, muitas horas fazendo isso muito meticulosamente para que as guitarras pegassem ‘na veia’, como eles diziam. Uma vez que acertamos tons e timbres, nós três escrevíamos a música durante o dia e daí Phil vinha do apartamento dele e ouvia algo. Daí ele dizia, ‘Porra, cara isso é muito do caralho’. E daí a gente dava um tempo e ia pra algum buteco, e daí voltávamos pra ouvir o que Phil tinha feito em cima. Nós trabalhávamos juntos, como uma equipe, e tínhamos essa mentalidade de ‘um por todos, todos por um’ pra valer mesmo”.

Mas isso era o Pantera, e enquanto eles trabalhavam com foco e energia, eles também partilhavam do mesmo senso de comprometimento.

Nós costumávamos jogar esse jogo chamado ‘Chicken Brake’”, diz Vinnie, “Onde você do nada puxava o freio de mão e o carro dava essa baita cantada de pneu. Certa noite, nós pegamos o carro alugado de Terry e estávamos andando pela rodovia numa baita chuva, e do nada, Rex acha que seria engraçado brincar de ‘Chicken Brake’, e eu estava a uns 95km/h e quando ele puxou, o carro virou 360 graus várias vezes e daí parou bem no meio da pista. Um olhou pra cara branca do outro e pensamos, ‘Ok, isso não aconteceu’ e fomos em frente”.

Mais tarde naquela noite, saímos para beber, e enchemos a cara e despirocamos na volta e passamos por cima de todas as caixas de correio do caminho, eu não sei como não fomos pra cadeia ou não fudemos o radiador! Mas paramos na frente do estúdio. E Terry sai e vê os faróis do carro dele estourados, a frente toda do carro estava amassada, havia vapor saindo do motor. E ele nunca gritou com a gente como ele gritou naquela noite. Ele berrava, ‘Cara, eu vou ter que pagar por isso e a porra da gravadora vai me pôr na rua!’. E a gente só dizia, ‘Cara, sossega. A gente vai fazer dinheiro com esse disco pra poder pagar.’”.

Aos dois meses de gravação, a banda recebeu uma oferta que não poderia recusar – a oportunidade de abrir para o AC/DC e Metallica na Rússia. Eles pularam na chance, e aquilo provou ser um triunfo.

Nós entramos no palco às duas da tarde, e era com certeza o palco mais inacreditavelmente enorme que eu já tinha pisado”, exclama Phil Anselmo. “Olhar pra plateia chegava a cegar. Não era uma plateia, era uma porra dum oceano. Mas não pegou nada e quando tomamos o palco, a gente matou. Nós éramos uma porra duma máquina, estávamos prontos pra guerra e estávamos trazendo-a até você”.

Visão da plateia do show de Moscow

Voltamos de avião pra casa e entramos no estúdio com mais gana, e a música simplesmente sangrava de nós. Eu estava no maior pique que já estive. Quando eu escrevi letras como, ‘A New Level Of Confidence and Power’ era verdade, cara!

Uma de nossas atividades favoritas no estúdio era esse jogo chamado ‘Twist and Hurl’”, acrescenta Vinnie. “Você pegava uma garrafa long neck de cerveja e virava duma vez, e daí você tinha que dar um giro no seu próprio eixo e tacar o casco nessa placa de ‘PARE’. Se você acertasse, você ganhava. E a gente fazia isso toda noite. A gente bebia uma cara dessas cervejas, então tínhamos munição. E daí uma noite estávamos fazendo isso, e daí essas luzes se acenderam em meio às árvores e havia tipo, cinco policias prontos para nos prender. Eu não sei como a gente enrolou eles pra não irmos!”

A ideia do título do disco veio de Phil, apesar dele ter demorado um pouco para perceber que ele tinha tirado o nome de uma frase de [o filme] “O Exorcista”.

A frase ‘Vulgar Display of Power’ grudou em mim e não me dei conta de onde ela tinha vindo até mais tarde. E daí eu pensei, ‘Ah, é do ‘Exorcista’! ‘Boa frase, William Peter Blatty [que escreveu o livro e o roteiro].”

Nós dissemos a nossa gravadora que queríamos uma foto de algo vulgar, como um cara tomando um murro na cara. Daí o selo nos mandou a primeira versão da capa, que era um boxeador com luvas, e dissemos, ‘errado, cara te que ser algo de rua’. Eles acertaram com a segunda versão. Uma das pessoas na gravadora nos contou que esse cara recebia 10 dólares por soco, e foram precisos 30 socos pra valer na cara dele para conseguir a imagem perfeita.”

O disco foi lançado em 25 de Fevereiro de 1992, e foi o primeiro do Pantera a entrar nas paradas, chegando a #44 nos EUA, onde já vendeu mais de 2 milhões de cópias. No Reino Unido, o álbum chegou a #64, e vendeu mais de 100 mil cópias. O Pantera tinha finalmente se tornado uma força significante no Metal no sentido mais amplo possível.

Vinnie diz: “Estar no palco e tocar músicas como ‘Walk’, ‘Mouth For War’ e a porra de ‘Fucking Hostile’…caralho, mano. Aquilo era um manifesto poderoso. A agressão, a intensidade, a emoção crua e sangrenta daquelas músicas se conectava com o público de um modo perigoso. Nós nos acabávamos tocando elas, porque elas eram as mais reais pra nós e eu acho – não eu SEI – que as pessoas sabiam que éramos pra valer.”

Logo esse álbum se tornaria um dos discos de Metal mais icônicos e inspiradores de todos os tempos. Um totem pra tudo que aconteceu desde então.

Ninguém tem mais noção disso do que Phil Anselmo, que olha com uma reverência próxima do espanto para o que ele ajudou a construir.

Quando fizemos ‘Vulgar Display of Power’, eu nunca disse, ‘OK, eu quero fazer um disco pra ficar na história.’ Claro, queríamos estabelecer metas pessoais e nos satisfazer, mas eu acho que eu ainda estou descobrindo o impacto que o álbum teve.

Duas gerações se passaram desde então, e tantas variações de música vieram e se foram. E eu ainda vejo garotos de 14 a 20 anos fanáticos por Pantera, porque os pais deles eram fanáticos por Pantera, e é isso que eles escutavam pela casa. E eu ouço muitos riffs do Pantera em muitas das bandas de hoje e de ontem também. Quando isso começou a acontecer, eu acho que foi quando eu me dei conta do impacto que tínhamos causado.”

E esse impacto ainda ressoa século 21 adentro.

O Capítulo Seguinte

Se ‘Vulgar Display of Power’ tinha sido um pico assustador, então o que veio a seguir em 1994 foi um sucesso maior ainda.

O disco seguinte da banda, ‘Far Beyond Driven’, estreou em #1 nas paradas estadunidenses. O Pantera até recebeu uma indicação ao Grammy pela faixa ‘I’m Broken’. Mas as coisas começaram a dar errado.

O quarteto tocou no [festival] Monsters of Rock em Donington, em 1994, e semanas depois, Phil foi acusado de agressão, depois de bater num segurança que tentava impedir que fãs subissem ao palco.

Em 1995, o uso de heroína e álcool por parte de Phil tinha ficado tão exacerbado que criou uma fenda irreversível entre ele e a banda. Um ano depois, ‘The Great Southern Trendkill’ enfatizou o crescente golfo entre o vocalista e o grupo. Enquanto os músicos gravaram em Dallas, Phil fez todos seus vocais no estúdio de Trent Reznor em Nova Orleans. Ainda assim, o álbum chegou a #4 nas paradas dos EUA e alcançou as mesmas vendagens de ‘Far Beyond Driven’.

Entretanto, quando o cantor teve uma overdose de heroína em junho de 1995, o resto do grupo ficou chocado. Seu comportamento continuamente errático tornou a relação ainda pior.

O disco ao vivo ‘Official Live: 101 Proof’ colocou panos quentes em tudo, conseguindo um respeitável #15 nas paradas dos EUA, mas depois do lançamento de ‘Reiventing The Steel’ em 2000, a banda parecia estar nas últimas. Apesar de ter chegado ao #4 das paradas, as vendas estagnaram em apenas 500 mil discos – e dentro de um ano, o álbum estava basicamente fritado.

Uma turnê europeia foi limada no meio devido à 11/9 e os planos para outro disco de estúdio foram postos de lado.

O Pantera se separou oficialmente em 2003, em meio a acusações e recriminações. O chocante assassinato de Dimebag Darrell em dezembro de 2004 significa que jamais veremos a banda de volta ao palco em toda sua glória.