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24/09/2011 02:44

Sua Banda Não Decola? Bob Lefsetz Sabe o Porque

Author: NachoBelgrande

Provavelmente muitos de vocês no mundo do Metal não conhecem o nome Bob Lefsetz. Para aqueles que de fato o conhecem, você tem plena noção de que mina de ouro esse cara é em termos de conhecimento e perspectiva do ramo musical que ele possui.

Algumas pessoas não gostam de ouvir o que ele tem pra dizer, algumas pessoas afirmam que ele é maldoso e/ou cruel. Quer saber? 99,9% dessas pessoas são aquelas em bandas que são uma merda, aquelas que se queixam que a indústria não é justa, aquelas que acham que tudo tem que ser fácil para ser um rock star e que ainda não acredita como a [gravadora] Warner Brothers não veio ainda e os tirou da garagem de suas mães e os colocou em turnê com o Metallica abrindo pra eles.

Por Justin Gosnell

Antes de começarmos, eu gostaria de perguntar um pouco sobre seu histórico. Como você chegou onde você está hoje e tornou-se esse bastião do conhecimento, se me permite a denominação, que é tão respeitado e reverenciado por tantos dos figures da indústria musical?

Bob: Eu ouvi a muitos discos e fui a muitos shows. Além disso, eu trabalhei na indústria cinematográfica, eu trabalhei no comando da Sanctuary Management nos EUA, mas isso foi muito tempo atrás, nos anos 80 e eu tenho editado uma newsletter faz 25 anos.

OK. Então você basicamente usou a mesma abordagem que construiu pouco a pouco ao longo de um extensor período de tempo de forma resumida para comunicar-se com essas bandas na sua newsletter?

Bob: Sim, exatamente! Como resultado da internet, tudo ficou totalmente diferente porque a newsletter era impressa, mas no ano 2000, eu entrei na internet e é incrível o quanto você pode alcançar, então se você faz algo de bom, as pessoas podem te achar. Ainda que eu tenha terminado não cobrando pelo informativo, o que eu costumava fazer, eu descobri que poderia alcançar mais pessoas e poderia acabar fazendo mais dinheiro com as oportunidades que surgiriam. Como eu digo, eu passei por isso tudo, então quando eu estou passando isso pras bandas – hey – é isso que eu estou fazendo.

Isso é incrível, e você optou por doar tudo isso de graça…

Bob: Certo! E se você é um artista de verdade, seu principal objetivo é ser exposto ao máximo de pessoas que você puder com sua arte e isso é uma mudança enorme em relação a como era antes da internet. Agora estamos numa época louca com a internet onde há tanta coisa. As pessoas dizem que as crianças têm pouco poder de concentração, mas os garotos não têm déficit de atenção, vocês deveriam vê-los jogar o mesmo videogame por 20 horas! Eles têm um incrível detector de roubada, então se algo não for ótimo, eles não querem jogar.  Antigamente quando as coisas eram limitadas e você tinha talvez apenas uma estação de radio no seu Mercado, se você ouvisse algo que você não amasse, você deixava rolar. Ninguém mais faz isso. Então se você for mesmo bom, as pessoas vão lhe achar na internet, mas é uma camada muito fina de pessoas que são muito boas. Muitas pessoas acham que são ótimas, mas na verdade a namorada e a mãe delas estão mentindo pra essas pessoas.

Sim, com certeza. Qual você acha que é o maior erro que uma banda faz hoje em dia?

Bob: Bem, eu diria que não há erro algum em pegar um instrumento e formar uma banda e tocar, mas eu diria que é que elas acham que são muito melhores do que realmente são e que merecem um publico.

Em sua opinião, o que é que uma banda começando hoje deveria fazer imediatamente de modo a começar com o pé direito logo de cara?

Bob: Concentre-se na música ao invés de no marketing. Uma grande música irá trazer dividendos que nenhuma quantidade de Facebook, Tweeting, distribuição de panfletos ou doação de CDs jamais traria.

Eu sei que você diz que entrar numa van e apenas tocar pra cacete é uma ferramenta sem preço para aprimorar sua técnica, acumular 10 mil horas de palco, e aperfeiçoar sua performance ao vivo. Entretanto, você acha que as bandas de hoje têm alguma chance de alcançar fãs de mente aberta em potencial tocando de bar em bar?

Bob: é mais fácil começar e pegar manha, mas é muito mais difícil de alcançar um público em massa. Mesmo se você for o melhor show – vamos dizer o Metallica. Quando o Metallica finalmente estourou com o ‘Black Album’, isso foi quando todo mundo ainda assistia à MTV então todo mundo poderia ser exposto a ‘Enter Sandman’. É muito difícil alcançar pessoas que não estão nem aí – sejam as pessoas que literalmente não gostam daquele tipo de música ou realmente não conhecem esse tipo de música. Se você voltar 40 anos atrás, todos nós estávamos ouvindo estações de radio AM, mas agora por meio de todos esses canais – e por canais eu me refiro a oportunidades – você pode achar as pessoas de mentalidade igual à sua. Você pode começar. Quanto a alcançar todo mundo, isso é muito mais difícil do que jamais foi.

Verdade. Eu pergunto porque eu tenho tocado e excursionado em bandas por mais de uma década e eu cheguei à conclusão que mais e mais fãs de música estão ficando progressivamente enjoados de verem bandas novas. Eu já trabalhei com incontáveis casas noturnas – algumas até bem grandes – que só funcionam no esquema “venda esse tanto de ingressos que você pode tocar” e elas acabam com esses elencos de bandas misturadas que não fazem sentido – eles têm uma banda de metal, depois uma de rap, e daí um acústico solo – é bizarro. Eu posso entender que as casas precisem pagar suas contas, com certeza, mas parece que nenhum tempo é gasto pensando no que será um show matador do começo ao fim e eu descobri que mesmo as bandas que estão atraindo bastante público frequentemente perguntam o horário EXATO em que elas tocam, e daí aparecem 5 minutos antes de modo que as bandas escaladas saiam logo depois sem mesmo ouvirem um mísero segundo do set de outra banda. Eu gostaria de saber sua opinião sobre isso e se você acha que há um meio termo que os bares possam achar?

Bob: Se um bar não pode pagar por bandas, então não deve permanecer aberto. Minha experiência diz que a maioria das bandas que se queixam que não vão ser contratadas e que elas têm que trazer seu próprio público são as com as quais ninguém se importa. Há uma camada muito fina de pessoas que são boas de fato e que podem tocar em casas noturnas e trazerem público. O que eu descobri e o que eu ouço é que a melhor coisa a se fazer é construir um público em sua própria comunidade e então estabelecer um intercâmbio com artistas que estejam em outras comunidades. Eles podem trazer algumas pessoas e dizer: “vamos deixar vocês abrirem para nós e vice-versa em seu mercado”. Quanto às casas noturnas, é um negócio muito difícil. Até mesmo os grandes promotores não conseguem fazer dinheiro nelas. Hey, não é papel do dono do bar tornar você famoso. Se você realmente acha que é tão bom, ache o quintal de alguém pra tocar, ache algum outro canto pra tocar, porque hoje em dia há tanta coisa disponível que deve haver um forte boca-a-boca e tem que ser bom pra alguém vir. Ouça, eu não quero defender os donos de bares. Existem donos de bar inescrupulosos por aí? Com certeza. Mas, as pessoas têm que se dar conta que só porque elas ensaiaram e elas tocaram, não quer dizer que elas merecem um público e que as pessoas vão assistir a seus shows.

Ao mesmo tempo em que sou um grande fã da internet e de todas as ferramentas maravilhosas que ela pode fornecer às bandas, eu também sinto que ela causou um grande dando devido a quão fácil é para qualquer pessoa criar uma página de música, colocar uma música com qualidade de merda no sentido de produção e daí espalhar isso por aí via spam. Quando você acha que essa inundação, por assim dizer, vai machucar as boas bandas?

Bob: o público está saturado então a pessoa que vai ficar com todo o dinheiro vai ser o filtro que diz às pessoas o que escutar. Isso ainda não existe. Nós temos sites como o Pandora onde tudo funciona à base de algoritmos, mas um computador não pode lhe dizer ao que ouvir, outra pessoa tem que lhe dizer isso. Mas há pessoas demais, seja em sites onde elas têm resenhistas demais e você não obtém um ponto de vista consistente, ou as pessoas são amigas da banda, tudo gira em torno de fontes confiáveis. Então é um problema enorme no qual a barreira pra entrada é tão lenta que eu prefiro o sistema antigo onde as coisas eram enfiadas em nossas gargantas. Ainda estamos em um período da evolução e há várias facetas de tudo. O público está saturado e não tem tolerância para palhaçada. E daí você tem as pessoas que conseguiam fazer isso nas antigas dizendo ‘bem, isso é muito mais difícil pra mim’, e daí você tem a banda que basicamente é uma merda e está sobrecarregando o sistema e como resultado as pessoas se desligaram. Não são só as bandas, quando alguém está te dando um golpe por qualquer coisa, você se liga e sai for a, então é separar o joio do trigo e vamos chegar a um ambiente melhor, mas ainda não chegamos lá.

Você fala de ter um filtro e eu sei que algumas das grandes estações de radio na internet têm processos de aprovação onde alguém ouve ao material entregue antes e decide se tem qualidade suficiente para ser acrescentado ao catálogo da emissora – não é nem baseado em texto – e sim na produção. Alguns sites de radio funcionam através de um sistema de votação onde se a banda tem uma música que tem muita rejeição ou ‘não gostei’, ela é retirada. Eles fazem isso como um esforço no sentido de manter a qualidade da programação. Você acha que sites que as bandas usam, como o MySpace, BandCamp, Facebook, etc., poderiam se beneficiar de ter algo assim?

Bob: Você tem todas essas bandas no Spotify que se queixam do pagamento baixo e ninguém está ouvindo à música delas! Eu não aguento ouvir alguém reclamar que não consegue entrar no Pandora. Pessoalmente, eu acho o Pandora uma merda. Eu não me importo se você o escuta, eu só acho que quando eu construo uma estação, eu não aceito as sugestões deles. Quando alguém senta ali e diz “ah cara, eu estou sendo excluído, eu não sou divulgado, todo mundo está contra mim”, o YouTube é DE GRAÇA! Muitos desses sites são DE GRAÇA! Se você é tão bom pra caralho assim coloca seu bang lá e as pessoas vão achar você. O problema é que você não é bom pra caralho!

Muitos dizem que o declínio do MySpace veio em parte de sua complete falta de esforço em controlar as quantidades insanas de spamming rolando com sites pornô e perfis falsos e coisas do tipo. Eu nunca vi isso ser trazido à tona, mas eu acho particularmente que as bandas foram uma ENORME parte das pessoas fazendo isso. Spamming através de software, adicionadores de amigos, spy bots, todo aquele lixo chato. O Facebook com certeza tenta controlar mais isso tudo, mas eu gostaria de perguntar – o que você acha das bandas fazerem isso?

Bob: Há muitas questões envolvidas nisso. Primeiro com o MySpace; eu acho que o MySpace basicamente falhou porque a infra-estrutura era uma merda. Toda página era diferente, demorava demais pra carregar, podia dar pau no navegador, e daí os controles de privacidade não eram tão bons; ou você era totalmente privado ou totalmente disponível. Então o MySpace iria fracassar a despeito da questão do spamming. Pessoalmente, me deixa PUTO quando alguém me manda spam com música deles, me deixa louco. Minha caixa postal é tão sagrada quanto a de todo mundo e ninguém tem tempo.  Você acha que eu vou ouvir a sua música porque você me força a isso?! As pessoas querem ouvir isso de uma fonte confiável, então é um problema ENORME e é basicamente feito por bandas fracassadas e eu não posso dizer a você qual é a solução, mas o que acontece geralmente é que a infra-estrutura é construída de modo que ninguém tenha acesso às pessoas. As pessoas vão deletar TUDO, então o que é bom não chega. É algo realmente problemático, mas com certeza indica que nós ficamos saímos de sintonia. Você não tem permissão para chegar até a mim, e não só a mim, a qualquer um. Todo mundo diz “Eu não estou interessado, eu tenho minhas próprias fontes de confiança, meus amigos e é isso.”

Parece que muito disso é feito por preguiça. Ao invés de saírem e ralarem, muitas bandas parecem pensar que mandar um vídeo por email ou mandar spam para as pessoas irá resolver a coisa.

Bob: É porque lhe faz sentir bem. Se alguém diz, “posso te mandar meu CD” e eu digo “não, mas você pode me mandar um link e eu o ouvirei” e eles dizem “não, eu tenho que te mandar meu CD, a arte é incrível”. Mandar o CD pelo correio, isso os faz sentir bem como eles tivessem feito algo. Ainda que as chances de eu ouvir um CD sejam basicamente zero, eu tenho que pegar ele, tenho que romper o lacrem tenho que colocá-lo no drive. Bem, você sabe, eu também tenho uma vida! Se for um link, é tão mais fácil para todo mundo. As bandas que não pegam velocidade acreditam que spamming vai adiantar o lado delas. NÂO ROLA! Isso as deixa felizes, mas não funciona! Você sabe, todo o tempo gasto com marketing, se você escrevesse uma canção que prestasse, as pessoas a achariam.

Você escreve frequentemente sobre como você acha que vai ser no future: como as bandas terão que trabalhar mais duro e como vai demorar mais para construir um séquito de fãs que se espera que vão continuar apoiando você. Uma vez que meu website cobre predominantemente Heavy Metal, eu gostaria de perguntar como isso se aplica a bandas tocando um estilo mais underground de metal que mesmo no auge da indústria, antes de tudo vir abaixo, tocava-se geralmente em casas noturnas de 1500 – 2000 lugares. Você acha que essas bandas podem ganhar um sustento decente ou ter uma carreira nessa atual situação que se desenha pro future?

Bob: os fãs de Metal apóiam muito aqueles seus favoritos. Uma vez que você conquista um fã, essa pessoa tende a continuar sendo fã, então gira em torno de prover serviços a esse fã. Um fã não só compra um ingresso, ele vai comprar sua música para te apoiar, ele vai comprar o disco de vinil pra mostrar pros amigos, ele tem uma camiseta, etc. Se você está vendendo 2 mil ingressos por noite, você pode fazer muito dinheiro. Você poderia contratar a TopSpin para ter pacotes especiais, etc. Então sim, historicamente com os nichos é difícil passar de 2000 pra 20000. Algumas bandas de metal fazem isso, mas em QUALQUER gênero que não seja do tipo Top 40, é difícil pular do nicho pras pessoas que normalmente não gostam desse tipo de música ou não acham que gostem desse tipo de música – não é diferente pro metal. A diferença pro metal é que é um segmento de fãs fanáticos que apóia o gênero. Eu não me importo com que tio de música a pessoa faça, se você está entrando na música para ficar rico, FIQUE NA ESCOLA, curse um MBA, vá trabalhar pra um banco ou vá pro Vale do Silício se você quer ser rico. Se você quer mesmo fazer música, ótimo, e daí você achará uma maneira de se sustentar. Vai ser muito difícil, mas não diga “ah cara eu vou comprar um Rolls Royce e uma casa na praia” – isso nunca foi tão difícil.

Antes de encerrarmos, há algo mais que você queira dizer?

Bob: Todo mundo quer ouvir música boa. Não há nada mais emocionante do que ouvir algo que você ama, então se alguém criar algo que as pessoas amam, um público irá achar isso. Pode ser um processo muito lento divulgar o trabalho, mas por outro lado, há coisas na internet que podem ser descobertas do dia pra noite. Agora, mais do que nunca, onde há tanta coisa espalhada. O foco é na música. Ouça, se você tem um show de palco ao vivo e você tem roupas e você tem um grupo de fãs que correm atrás de divulgação, não há nada de errado com isso, mas tudo é motivado pela música.

Eu sei que membros de bandas dando conselhos não tem nada de novo, mas ultimamente há algumas bandas na cena do Metal levando isso a outro patamar e colhendo grandes benefícios com isso. O Periphery é uma banda que me vem à mente de cara. Uma porção ENORME dos fãs deles é constituída de músicos e eles fizeram um belo dinheiro dando aulas em turnê por muitos anos, mas na nova turnê eles estão vendendo esses pacotes VIP que vendem feito pão quente, onde os fãs não só encontram com a banda, mas eles também tocam com qualquer equipamento de um membro da banda que eles escolham. Não é limitado tampouco. Você pode pegar qualquer guitarra de um estojo, ligar os amplificadores deles, pisar nos pedais, bater nas peles… acesso COMPLETO no mesmo palco que eles vão tocar naquela mesma noite. Além disso, você tem sites pipocando como o Bandhappy.com onde os fãs podem pagar uma quantia considerável para ter uma aula com alguns nomes FAMOSOS da música. Nada de aulas pré-gravadas ou aquelas lições interativas pela webcam. O lance é que tudo ainda está pegando fogo no mundo do Heavy Metal. Tendo dito tudo isso, você acha que isso poderia ser o future para as bandas de todos os gêneros, que mesmo as bandas de um tamanho decente até as maiores deveriam derrubar a barreira entre elas e seus fãs e fornecer acesso completo – seria essa a reposta à questão de como as bandas podem TODAS fazer mais dinheiro na estrada vendo o tanto de grupos de tamanho médio que nem conseguem empatar os custos e despesas por muitas vezes?

Bob: é um mercado livre, não vejo problema algum com as bandas venderem acesso. Mas cuidado pra não parecerem muito mercenários, e também não abdiquem do mistério!

Com certeza. Eu realmente não posso lhe agradecer o suficiente e estou honrado por você ter tirado tempo para ser entrevistado por mim.

Bob. Foi um prazer.

Fonte: site LefSetz

A rádio Triple M da Austrália conduziu recentemente uma entrevista com o líder do POISON, Bret Michaels. Durante a conversa, Michaels falou sobre o GUNS N’ ROSES, sair com mulheres gostosas e cair na farra com o MÖTLEY CRÜE. Um trecho traduzido da entrevista pode ser lido abaixo:

Sobre as implicações para com sua saúde no que diz respeito a sair em turnê com o Mötley Crüe:

Michaels: “Nos EUA eu passei o verão com duas das bandas mais loucas que fazem um baita dum show – Poison e Mötley Crüe. Eu preparei meu fígado para a festa prestes a acontecer.”

Sobre a briga com AXL ROSE e o Guns N’ Roses. Isso continua até hoje?

Michaels: “Permita-me esclarecer isso. Havia mais de uma briga na mídia do que na vida real. Guns N’ Roses, Mötley Crüe e o Poison eram bandas de rock que eram muito passionais em relação ao que faziam. Sem dúvida que há uma certa competição. Você quer sair e dar o melhor show que puder, mas essa competição amistosa é boa. Ajudou a vender discos na época. O Guns N’ Roses e o Poison estavam excursionando, tocando nos mesmos estádios e as duas gravadoras – Capitol e Geffen – ficavam rebatendo esses comunicados à imprensa e daí eu ia encontrar com os caras, eu ia ao show deles, e ia pro role com eles – e eu estou pensando, ‘na mídia estamos brigando, mas na vida real somos amigos’. ‘Appetite For Destruction’ é um de meus 10 discos favoritos de todos os tempos.”
Fonte: site da revista canadense Brave Words & Bloody Knuckles

Por Nacho Belgrande

17 de Setembro de 1991.

Se você tem por volta de 30 anos ou mais, deve ter lembranças vívidas do que foi aquele dia [ou aquela noite]. E tal como eu, não deve ter referência nenhuma de comoção tão grande em cima de uma banda nem antes, nem depois.

Há exatos 20 anos, o Guns N’ Roses simplesmente tomou de assalto a indústria fonográfica da civilização ocidental por uma noite, e só não o fez também com a oriental porque o sol já havia nascido por lá.

Numa manobra inédita, ousada e megalômana, o grupo lançava dois discos duplos – o vinil ainda era referência – simultaneamente, enquanto já excursionava para promovê-los fazia quase seis meses.

Eu não temo pagar minha língua depois ao afirmar que jamais haverá uma convergência de preparo, potencial, oportunidade, sincronia e momentum para uma banda como houve naquele ano, em torno do tão aguardado ‘novo disco do Guns N’ Roses’. Mas aquela supernova começara a explodir muito antes.

Lembro que em 1989, a Folha de São Paulo, em uma edição dominical, anunciava que o ‘mercado heavy’ queria o recorde de Michael Jackson, fazendo uma referência à prensagem inicial de ‘Bad’, do falecido cantor, que havia sido lançado nas lojas dos EUA com 3,7 milhões de cópias. O ‘mercado heavy’ do qual a Folha falava era o então futuro lançamento de ‘Dr. Feelgood’ do Mötley Crüe, que teria 3 milhões de unidades despachadas no dia 23 de setembro daquele ano. O mesmo artigo dizia que o recorde deveria ser arrebatado pelo novo disco do Guns N’ Roses, previsto para 1990 e que deveria sair do prelo com 4 milhões de cópias prontas.

Pra quem já era fã do grupo ou conhecia a banda de Axl, Slash, Duff, Izzy e Steven, 1990 foi o mais longo dos anos. Tudo que ficamos sabendo – através das pouquíssimas fontes de informação que tínhamos no país na época – foi do lançamento do cover de ‘Knockin’ On Heaven’s Door’ na trilha sonora de ‘Dias de Trovão’ [iniciando uma série de inteligentes parcerias da banda com o cinema – ignorem ‘Dirty Harry na Lista Negra’, com Jim Carrey cantando ‘Welcome to the Jungle’] e da demissão de Steven Adler, assim como de sua substituição pelo ‘baterista do The Cult’, que é como a maioria de referia ao ilustre desconhecido do qual ninguém tinha foto [aonde, em 1990, você procuraria por uma foto de Matt Sorum?].

A MTV chegou ao Brasil no final daquele ano e até ali, só restava aos fãs da banda comprar a [revista] Bizz todo mês e ler quatro linhas que fossem que em sumo, diziam que ‘Axl afirmou que as gravações do novo disco estão quase terminadas’ e/ou comprar a Rock Brigade, que só falava em Guns N’ Roses em caso de escândalo e quase sempre em tom jocoso. A melhor notícia de 1990? O Jornal Nacional anunciar em horário nobre que o Guns N’ Roses faria dois shows na segunda edição do Rock In Rio em janeiro de 1991.

 Em 1991, shows estrangeiros no Brasil ainda eram um grande acontecimento. Qualquer gringo de férias pelo país que tocasse pandeiro na praia ganhava duas páginas no Globo. Um festival com as proporções do Rock In Rio ganhava uma importância que todo o circuito de festivais existente em território nacional hoje não alcança. O festival ocorria nas férias escolares, e depois da primeira fase e antes da segunda etapa dos principais vestibulares de universidades públicas, para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ir. Sendo assim, e com menos de 10 canais por assinatura disponíveis no mercado [e mesmo assim somente nas quatro maiores cidades do país], a Rede Globo de Televisão adquiriu os direitos de transmissão do RIR para TV aberta no território nacional.

Sem entrar em detalhes sobre a passagem da banda offstage pelo país, a exibição dos dois shows de Axl et al, em especial a do dia 20 de janeiro, expôs a banda a todo o território nacional numa noite de domingo, pouco depois do horário do Fantástico. Foi naquela transmissão que o Guns N’ Roses fundiu em aço sua popularidade no Brasil. Quem não conhecia, ficou conhecendo; quem já conhecia, estava esperando, e quem já gostava, passou a gostar mais; quem não assistiu na época, ou nasceu 10 anos depois do espetáculo, descobriu a banda por esse show no YouTube, e provavelmente sabe o set list de cabeça. Falando de novo em convergência de fatores, o público assistiu a uma banda no auge da carreira se apresentando num país de terceiro mundo, o que era muito incomum. E isso foi muito apreciado. A platéia brasileira também era menos acostumada a shows, e, portanto [mesmo sob um calor que dava novo sentido ao termo ‘Equatorial’ – eu estava lá], muito mais agitada e calorosa – o que comoveu a banda.

Na época, o Guns N’ Roses recebeu 500 mil dólares pelas duas apresentações no Maracanã – metade do que a versão 2001 do grupo receberia por um único show no Rock In Rio 3. Mas eles poderiam ter tocado de graça e o retorno ainda seria compensador. O grupo voltou para Los Angeles com uma nação de dimensões continentais louca para pôr as mãos em qualquer coisa com o logotipo da banda estampado.

O ‘novo disco do Guns N’ Roses’, dizia-se nos telefones sem fio, sairia ainda naquele semestre. Afinal, se o grupo já tinha apresentado tantas faixas novas nos dois shows cariocas – sete no total, o que se supunha então ser mais da metade do álbum – o processo deveria estar próximo do fim. Até estava, e quando a turnê ‘Get In The Ring Motherfucker’ começou em maio de 1991, a demanda por material novo da banda já era tão grande que os shows – já com repertório tirado do vindouro trabalho – gravados ilegalmente e de maneira amadora eram pirateados e comercializados ao redor do mundo em fita cassete e vinil.

No mesmo mês de maio, a – mais uma vez ela – Bizz trouxe em suas páginas [que a essa altura, já figurando uma meia dúzia de jornalistas da ‘escola’ Rolling Stone/NME -brasileiros de nascença com complexo de Londrino e que abominavam qualquer coisa que figurasse no mainstream – escrutinizava a banda em qualquer oportunidade] uma declaração de alguém no campo da banda dizendo que o disco não sairia por enquanto para que fosse mixado novamente, de modo que o som ficasse ‘mais sujo’, e que o lançamento ficaria ‘mais pro final do ano’.

A sensação de fel na boca que o ‘mais pro final do ano’ causou em quem esperava pelo álbum foi dissipada em parte por mais uma incursão do Guns N’ Roses pela sétima arte: ‘You Could Be Mine’, que já era conhecida do público por sua execução no Rock In Rio, era lançada como single e fora incluída na trilha sonora do filme mais aguardado daquele ano: ‘O Exterminador do Futuro 2’. Lançada nas rádios no dia 18 de Junho [o filme chegaria ao Brasil em Agosto], a faixa e o filme, em mais uma martelada certeira do destino em dois pregos ao mesmo tempo, promoveram um ao outro. A capa do single tinha Arnold Schwarzenegger caracterizado como o modelo cibernético T-800, e o vídeo promocional da canção contava com o ator em uma participação inusitada, com todo um contexto do enredo do filme inserido numa apresentação do grupo. Lembremos que na época, Schwarzenegger era o ator mais conhecido do planeta, e qualquer banda pagaria qualquer coisa para tê-lo em seu set.

Voltemos ao Brasil. Cerca de três semanas antes do lançamento de ‘Use Your Illusion’, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira a ‘Terminator 2’, ressaltando as revolucionárias técnicas de efeitos especiais do filme, o estrelato do imigrante austríaco que tinha se tornado o ator mais bem pago do cinema de ação, e claro, vários trechos de ‘You Could Be Mine’ ao longo do programa, expondo o Guns N’ Roses mais uma vez ao país todo em horário nobre.

Cerca de uma semana antes do lançamento do disco, ‘Don’t Cry’, uma faixa que a banda não tinha tocado no Rock In Rio e que só era conhecida por quem tivesse ‘descolado’ uma fita cassete bootleg de algum show ocorrido naqueles longos seis meses antecedendo a seu lançamento oficial, chegava às rádios nacionais, e de cara, chegava ao topo das paradas do Brasil. Dado surreal: por ‘paradas’, entenda-se ‘o que tocava na [pasmem!] Jovem Pan e/ou Transamérica’. Isso mesmo, em 1991, a Jovem Pan tocava Guns N’ Roses. A revista Veja [na época em que a revista tinha a relevância de quarto poder] entregue às bancas no domingo anterior a 17 de Setembro deu duas páginas de destaque a ‘Use Your Illusion’, revelando que seriam de fato dois discos, e que a experiência fonográfica ultrapassava 3 horas de audição. E não, a resenha da revista não era lá muito favorável aos compêndios.

O dado mais importante da matéria da Veja: uma data definitiva, 17 de setembro, terça-feira, menos de 48 horas depois deu ter lido a revista.

Claro, as horas seguintes passaram muito devagar para mim, por mais de um motivo: 1 – eu mal podia me aguentar de ansiedade, e 2 – se eu tivesse que comprar dois discos ao invés de um, minha regulada mesada de estudante aos 17 anos vivendo em uma república em Ribeirão Preto seria seriamente desfalcada com essa extravagância. Na verdade, eu não teria dinheiro suficiente para comprar dois vinis ‘zero’ naquela terça.

Na segunda-feira à noite, contudo, liguei a cobrar de um orelhão [não existia telefonia celular no país] para meus pais em GO, e surpreendentemente, meu pai, antenado como nunca – ou como sempre – me disse que sabia do lançamento dos discos, e que quando eu soubesse do preço deles, que o avisasse, e que ele depositaria o dinheiro de presente para mim. Daí então, ao invés das horas passarem mais rapidamente, elas começaram a ficar mais longas.

Voltei para casa e assistindo ao Jornal Da Globo – que na época era apresentado por William Bonner e Fátima Bernardes – ouço antes de uma chamada para o intervalo: ‘E depois dos comerciais, o tumulto nas lojas americanas pelo novo disco do Guns N’ Roses’. Eu já não sei que horas da madrugada eram quando a matéria foi exibida, mas todo aquele furdúncio que podemos ver pela internet hoje em dia estava ali, sendo transmitido pelos escritórios da Globo em Nova Iorque, mas com imagens da Tower Records de Sunset Strip [Los Angeles], que havia aberto as portas às 00h00min  para vender o disco. Gente saindo com os CDs em long box [quantos de vocês já tiveram um CD em embalagem long box nas mãos?] gritando e acenando para as câmeras. Estações de rádio tinham montado acampamento em lojas ao redor do país para registrar o fato. Pôsteres gigantes com as capas dos dois discos cobrindo as vitrines do teto ao chão.

E assim eu perdi definitivamente meu sono, na expectativa de que, caso eu matasse aula, poderia adquirir os álbuns ainda pela manhã e começar a ouvi-los antes do almoço. Mas claro que eu não podia, o que eu diria a meus pais?

Minutos depois de a matéria ter sido exibida, meu irmão adentra o apartamento e antes que eu pudesse informá-lo do que eu tinha acabado de ver, ele me diz, sem muito entusiasmo: ‘Você viu os discos do Guns? Eu vi lá no Carrefour do shopping hoje. São dois discos duplos, né?’. Meu mundo caiu. Então o disco já tinha sido lançado no Brasil, chegado ao interior paulista e eu parado em casa? Mal sabia eu, é praxe que discos sejam lançados em certos países um dia antes dos EUA.

Eu fui a aula naquela terça, ainda que minha mente não tenha se focado por momento algum no que seis qualificados professores tenham explicado das 7h às 12h30min. Quando eu saí da escola, também não me interessava almoçar. Liguei de um orelhão [com fichas de chumbo, não com cartão de papel] para uma loja razoavelmente careira do centro da cidade, e informei o preço a minha mãe em seguida. Ela conseguiu fazer o depósito para minha conta só ligando para o gerente do banco e meu irmão, munido do cartão do Bradesco Instantâneo, rumou para o Carrefour num ônibus, encarregado de trazer as quatro bolachas.

Se não me engano, ele deve ter chegado de volta pouco antes das 4 horas da tarde, e começamos a ouvir da primeira faixa, em ordem cronológica, e sem parar. E assim fomos, eu, ele e nosso outro colega de república, de ‘Right Next Door to Hell’ até ‘My World’. Acabamos por volta de 8 horas da noite, e eu confesso: não ‘entendi’ aquele disco de cara. Era diversificado demais, longo demais, adulto demais, complexo demais. Pois bem, jantamos e o ouvimos de novo, dessa vez pulando as faixas que não nos agradavam tanto.

Naquela semana, o que houve de publicidade pra banda no Brasil nunca se viu e nunca mais vai ser visto. No mesmo domingo em que li a tal edição da Veja, uma banda cover do Guns N’ Roses se apresentou no Domingão do Faustão, com direito a Slash e Axl de peruca tocando ‘You Could Be Mine’. No decorrer da semana, as Lojas Americanas anunciavam em um comercial confeccionado somente para a oferta, que ‘ninguém vendia o novo disco do Guns N’ Roses tão barato’. Na [já finada loja de departamentos] Mesbla, você encontrava até camisetas para crianças de 4 anos com o logotipo do grupo. Mesma coisa no igualmente liquidado magazine Mappin. Foi o começo da super-popularização do grupo, assim como a alvorada de sua saturação.

Use Your Illusion I estreou em #2 na parada da [revista estadunidense] Billboard, vendendo 685 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, menos do que Use Your Illusion II, que chegou às 770 mil cópias em 7 dias e, portanto, arrebatou o primeiro posto da tabela.

Cada um dos Illusion venderia mais de 14 milhões de cópias mundo afora.

Vince na noite do dia 11 de Setembro nos EUA - Notem a Consternação

O vocalista do MÖTLEY CRÜE, VINCE NEIL WHARTON, foi flagrado na noite da última quarta-feira saindo da churrascaria BOA em West Hollywood [EUA]. Até aí, apenas mais um pacato cidadão angeleno desfrutando dos prazeres da carne.

O que caracterizou a situação como utopicamente ‘Vince Neil’ foi a sequência de elementos envolvidos na presença do vocalista, que ao longo de seis minutos de um vídeo feito pelo site ‘Pop Candies TV’, ilustrou seu cotidiano de um modo que não conseguiria nem intencionalmente.

O vídeo mostra Vince – não vamos ser levianos e cogitar se ele estava alcoolizado ou não – muito bem acompanhado por três jovens e belas acompanhantes, que adentraram o veículo que ele afirmou ter comprado naquele mesmo dia: um Rolls Royce ‘Ghost 2011.

O carro, uma obra-prima da montadora inglesa, é entregue nas mãos do músico – que também possui um Lamborghini Gallardo 2008, uma Ferrari Modena 360, uma Mercedes SL 550, um Hummer H2 e um Dodge Magnum Wagon -por um manobrista. Enquanto espera, Vince é entretido por um rapper sentado ao meio-fio, e em um momento ‘boleiro’, saca uma pacoteira de dinheiro – com elástico e tudo – para dar uma gorjeta ao artista.

Advertido pelo vallet sobre alguma manha do carro com a qual deveria ficar atento, Vince parte dentro do que pode ser seu único competidor à altura em outra modalidade: o Rolls Royce ‘Ghost’ bebe a um ratio de 5.5 km/litro.

Um Rolls Royce modelo ‘Ghost’ pode ser adquirido no Brasil a partir de módicos 900 mil reais pelo telefone (11) 3086-8888 [falar com o empresário ANDERSSON XAVIER].

Assista ao vídeo clicando AQUI.

O site Billboard.com conduziu uma sessão de perguntas e respostas com o vocalista do SOUNDGARDEN, Chris Cornell, que falou sobre a ascensão da música de Seattle, ser contratado por uma grande gravadora, e as lições aprendidas com tudo isso.

O que segue abaixo é um pequeno trecho traduzido da entrevista.

Billboard.com: Quando foi que a cena musical de Seattle engrenou, e ficou grande?

Cornell: Com o Soundgarden assinando com uma das grandes [gravadoras], e depois o MOTHER LOVE BONE, e ver a mesma coisa acontecer com o ALICE IN CHAINS. Estávamos de repente fazendo música e gravando ao mesmo tempo, e tínhamos dinheiro pra fazer isso. Não eram gravações de 2 mil dólares que você faria ao longo de um fim de semana. Era tipo, “Wow, talvez isso agora seja o nosso emprego’. Eu me lembro de ouvir as músicas do disco do Mother Love Bone, e ouvir ao Alice In Chains, e sentir que aquilo era mais do que uma moda ou um momento. Eu me lembro da primeira vez que ouvi um cassete demo do NIRVANA que acabou por virar [o álbum] ‘Bleach’, e sentir que tinha muita música boa ali. Eu acho que nós fomos meio paparicados de cara, e não nos apercebemos disso até que saímos em turnê. Nós fizemos algumas turnês de van quando nosso EP lançado pela [gravadora] SubPop, ‘Screaming Life’ foi lançado. Nós fomos a muitas outras cidades que eram conhecidos por ter essas grandes cenas de rock indie – Minneapolis, Atenas, Nova Iorque. Nós não vimos em muitos desses lugares o que tínhamos em casa. Eu percebi que tínhamos algo especial. Nós meio que motivávamos um ao outro. Era amigável, mas havia rivalidade na cena. Se há um monte de bandas boas, isso te força a se mexer mais.


Billboard.com: Quando foi que a cena morreu?

Cornell: O âmago da cena de verdade morreu tão logo todo mundo saiu pra fazer turnês, fosse por uma gravadora grande ou por uma independente. Uma vez que as bandas estavam viajando, elas não estavam mais em casa. Aquela cena de casas noturnas em particular estava terminada – virou outra coisa. Eu me lembro de voltar de turnê e ver um Dodge do final dos anos 60 em frente de um desses bares que costumávamos tocar. Esses caras saíram, e o carro tinha placas de Minnesota nele. Eles abriram o porta-malas e estavam trocando de roupa pelas que tinham em malas lá dentro. Você percebia que Seattle quase que tinha se tornado A Sunset Strip, porque havia pessoas vindas de todo o mundo pra se mudar pra lá e começar em bandas. Aconteceu tudo muito rápido. Em 1992, nosso técnico de som tinha um estúdio para ensaios com 14 salas diferentes dentro dele, construído em uma vinícola antiga. E eu acho que no fim de 1993 ou 1994, ele tinha 75 salas de ensaio. As bandas do começo da cena estavam todas ocupadas e fora de Seattle – já era. Muitos clubes foram abertos. Outra coisa que eu acho que sempre foi mal-interpretada é a idéia de que parte da cena era essa grande cena de casas noturnas e clubes, e que havia muitos grandes clubes para se tocar. Mas isso não era verdade. Havia alguns. Era mesmo a música que era vibrante. Muitos clubes que se dedicavam à música ao vivo e às bandas abriram depois daquilo, o que foi ótimo. Mas ficou diferente. Mudou.

A entrevista completa – em inglês – pode ser lida clicando AQUI.