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28/09/2012 10:41

Guns N’ Roses: fotos do boxed-set japonês

Author: NachoBelgrande

Fotos do boxed set lançado pela Universal no Japão no ano passado. Todos os CDs de áudio são prensados em SHM-CD, o que possibilita uma reprodução fonográfica mais apurada. Os SHM-CD são compatíveis com todo CD player comum [clique nas fotos para vê-las em seu tamanho original].

Entrevista conduzida originalmente por Gerry Gittelson

Traduzida por Nacho Belgrande


O website estadunidense METAL SLUDGE divulgou essa semana uma entrevista com o notório empresário e produtor musical KIM FOWLEY, que descobriu as RUNAWAYS e por um breve momento foi envolvido com o GUNS N’ ROSES nos primórdios da banda, chegando inclusive a ser cogitado para a produção do primeiro registro fonográfico da banda.

O que segue abaixo é uma compilação de trechos selecionados da conversa.

Sludge: O Guns N’ Roses acaba de entrar pro Rock N’ Roll Hall Of Fame. Qual sua opinião sobre a banda?

Fowley: Era um misto de loucura, genialidade, violência e bondade. Eles viviam no futuro e estavam lutando para sobreviver a sua presença sub-humana, mas eles tinham sonhos futuros sobre-humanos. Eles eram interessantes sob essa perspectiva.

Sludge: Nós fizemos uma entrevista com a primeira empresária do Guns N’ Roses, Vicky Hamilton, e ela parecia lembrar claramente de você oferecendo ao Guns N’ Roses 25 mil dólares por direitos de edição de três das três melhores músicas deles, incluindo ‘Welcome To The Jungle’. Qual sua versão dos fatos?

Fowley: Você quer dizer no apartamento na rua Clarke? Eu não ofereci a eles dinheiro algum por nada.

Sludge: Então…

Fowley: Veja bem, o que rolava na época era: Jenny Price era minha secretária, depois ela virou funcionária de gravadoras e descobriu Jewel para a Atlantic e outras coisas. Na época, ela era minha secretária trabalhando em Burbank, enquanto eu estava vivendo nos arredores de Chicago, mas também tinha um escritório em Los Angeles.

Isso foi antes da internet, claro. Ela e David Carr, que tinha dois títulos de graduação em música, eram quem eu costumava ligar pra saber o que rolava na cena das casas noturnas de Los Angeles. Jenny era uma ruivinha baixinha, linda, com o cérebro de uma mulher de 50 anos, mas aparentava 18, e tinha 21 ou 22 anos naquele tempo. Ela me contou empolgada do Guns N’ Roses, que eles eram deuses e que eu tinha que me envolver. Eu disse ‘OK, me dê o telefone deles’.

Sludge: OK, tô escutando.

Fowley: Ela me deu o número de Izzy. Eu liguei e disse, “Eu sou Kim Fowley, Jenny Price disse que vocês são deuses. Ela disse que vocês são legais e eu estou interessado em trabalhar com vocês.”

Eu perguntei a ele o que ele queria e pra que me enviasse uma demo, e eles tinham uma demo de três músicas. Ele mandou a demo, e a primeira música era ‘Welcome To The Jungle’. Isso foi em 1985, por aí. Eu liguei de volta e disse: “Isso é muito bom.”

Izzy disse: “Você leu minhas exigências?” Ele queria seu próprio trailer privado como aqueles dos anos 20 com uma cozinha e uma sala de jantar com toalhas de tecido e esse tipo de coisa. Isso era bem peculiar. Geralmente eles pedem um avião particular [risos]. Havia um bando de exigências típicas de sonhos de rock and roll em termos de mansões, carros, garotas, jóias, presidente dos EUA, rei do mundo. Como você gostaria de viver? Estava tudo na lista.

Sludge: Interessante.

Fowley: Eu tive que perguntar pra outras pessoas sobre a banda além de Jenny Price e do que se tratava o Guns N’ Roses, e quando eu falei com Izzy, eu disse a ele: “Eu não posso trabalhar com você.”

Ele me perguntou o porquê, e eu disse que era porque as exigências dele era enormes e difíceis. Na época, eu era só um produtor independente fazendo edição musical e manipulação da mídia, meio que um faz-tudo em um escritório pequeno. Eu não poderia pagar salário pra eles, ou custear a vida deles, eu disse isso a eles, e ainda por cima disse a Izzy: “Vocês tem um comportamento radical. Aventuras inesperadas podem respingar em mim, então eu não quero ou preciso desses problemas.”

Sludge: Mas isso não foi o fim, certo?

Fowley: Não. Izzy disse: “Você é esquisito como nós”, mas eu respondi, “Não, eu sou estranho de um modo diferente. Minha estranheza tem lógica e realidade governando o quão esquisito eu posso ser. Você trabalha isso, e eu estou preso a isso, lidando com o equilíbrio das questões do dia a dia.”

Eu simplesmente não precisava daqueles problemas, e eu estava me referindo ao álcool é à cultura das drogas porque eu não uso drogas e eu não bebo, mas esses caras eram cachaceiros e jogados no mundo das drogas, e eu não queria ser parte daquilo. Eu não estava interessado nisso. Izzy disse que estava desapontado, mas eu disse a ele a verdade – que eu não poderia dar conta disso e daquilo, e se ele quisesse entrar pra uma grande gravadora, então ele precisaria de uma equipe de pessoas, não de um cara apenas. Mas eu desejei toda a sorte do mundo pra ele.


Sludge: Bem, em algum ponto da história você acabou na sala de estar deles, procede?

Fowley: Isso foi numa terça-feira, e conversamos de novo na quinta-feira, e daí no sábado seguinte. No último dia, eu estava na banheira, e Izzy ligou implorando pra que eu saísse da banheira porque ele estava tendo uma emergência. Eu disse: “Hey, eu já te disse, não posso trabalhar com você, mas qual é a emergência?” Era sobre três dos caras da banda e provavelmente uma mãe e uma filha, e tinha rolado uma treta na esquina de Sunset com Gardner, onde a banda morava na época nesse buraco, e algo sobre a polícia vindo ou de tocaia na casa, bla bla bla. Os três caras do Guns N’ Roses não queriam ser interrogados, então eles despareceram.

Eu liguei pro meu amigo, Dave Libert, que era empresário e agente em Hollywood. Ele era uma figura, um tour manager do Alice Cooper, um dos maiores nomes do mundo e muito prático. Eu disse a Izzy: “Me deixa ligar para Dave Libert e contar a ele oque está acontecendo.” Pra resumir, Dave e outro cara, Alan Okun, que era um advogado, foram até lá, deram um jeito no problema de um jeito ou de outro.

Então depois, Izzy liga de novo para agradecer, e daí disse que seria ótimo se eu pudesse talvez produzir a banda e ajudá-los a construir uma carreira e merchandise, esse tipo de coisa. Mas como algo diário, cotidiano, eu não poderia fazê-lo. Eu não conseguiria, e eu ainda não queria estar envolvido. A vida é curta demais para passar por stress desse tipo, mas se eu fosse voltar pra Los Angeles, talvez.

Bem, 30 dias depois, eu de fato voltei para Los Angeles como consultor e produtor para uma banda – era a Reform School Girls com um nome diferente. Rolo que Axl Rose era um grande amigo do guitarrista. Naqueles tempos, todas as bandas, elas eram todas cachaceiras que brigavam na rua e tinha namoradas strippers e zoavam apartamentos, e se elas tivessem cabelo tingido de preto, elas estavam em vantagem.

Enfim, eu estou no estúdio um dia e Axl aparece pra visitar. Ele me diz: “Todo mundo está falando sobre você e como você é bom.” Ele disse que alguém tinha oferecido 50 mil pra banda mas ele disse não porque ele achava que o Guns N’ Roses poderia fazer mais. Mesmo naquele tempo, Axl sabia que haveriam milhões de dólares vindo pelo correio um dia, e ele estava certo. É por isso que quando alguém tinha uma oferta para fazer para ajudar a banda, ele dizia tchau e bom dia.

Sludge: Então você estava interessado?

Fowley: Bem, nessa época em Los Angeles, todo mundo estava falando sobre o Guns N’ Roses e como essa banda iria ser gigantesca. Eu fui até a casa de Vicky Hamilton na Rua Clarke. Eu disse a ela que a banda tinha me mandado uma demo em Illinois, e que Axl tinha vindo me ver no estúdio, e que éramos colegas agora. Eu disse a eles que não tinha o dinheiro que eles pediam, fosse a curto ou longo prazo, mas ali eu já tinha visto eles ao vivo, e eu realmente achei que eles seriam muito famosos. Eu disse: “Só o que eu posso fazer é conseguir dinheiro de gravadoras para vocês. Eu não posso pagar vocês diretamente como eu não posso pagar a mim mesmo diretamente tão pouco.”

Então Axl diz, “Bem, dão 3 da tarde, você consegue trazer gente das gravadoras aqui pra esse apartamento até as 6?”

Eu achei que o entusiasmo dele tinha que significar algo, então eu liguei para Ron Fair na Chrysalis e a assistente dele, e eu liguei pra algumas outras pessoas, na Capitol, e disse, “Hey, é melhor que vocês contratem essa banda até amanhã.”

O cara da Capitol, Dennis, escreveu uma carta de imediato e a entregou na casa, dizendo que ele contrataria a banda baseado na demo e na reputação dela nas ruas. A banda ficou impressionada por eu ter duas gravadoras interessadas em três horas, e Axl disse: “Wow, Kim, você joga duro. Você tem que fazer com que os caras venham até aqui e talvez esses caras paguem a nós e a você, e vamos assinar um contrato e tudo mais.”


Sludge: E Vicky Hamilton?

Fowley: Vicky Hamilton não gostou muito. Eu me lembro dela me mandando sair do apartamento. Ela disse: “Obrigada, Sr. Fowley, mas eu estou no comando desse projeto, e mesmo que você tenha conseguido três empregados diferentes de duas gravadoras interessados em uma tarde, eu estou no comando. Onde esse grupo de caras está é minha casa, então não traga ninguém aqui. Por favor, saia.”

Era o apartamento dela, ela estava alimentando eles, e ela estava, pra todos os efeitos, empresariando eles, não Libert nem Okun, que eram meus parceiros no lance, e a coisa rolou rápido demais. Eu disse, “Ah OK, tchau e boa sorte” e fui embora. Eu não poderia continuar. Me senti mal com aquilo.

Vendo agora, talvez valesse a pena a treta que eu teria que encarar, meio que como Malcom McLaren, mas com um resultado diferente. Mas a outra metade de mim dizia não, eu não preciso desses problemas.

Sludge: Essa é uma versão bem diferente da que ouvimos de Hamilton.

Fowley: É a verdade. O que eu ganhei? Meu nome no encarte de “Appetite For Destruction” como agradecimento especial, e apareci em alguns livros. Se minha memória fosse melhor, talvez eu pudesse contar mais, mas havia muita gente no campo do Guns N’ Roses antes deles ficarem famosos, e eu fui uma delas. Ele ficaram monstruosos.

OK, o que aconteceu com Kim Fowley: Eu tive sucessos antes do GNR, e depois deles se separarem, eu tive mais êxitos. Minha carreira continuou em um padrão irregular, mas eu tinha orgulho das Runaways e de produzir a trilha sonora de ‘American Graffiti’ e por ter os direitos de edição musical do Mötley Crüe e do Blue Oyster Cult e compor com o Kiss, Alice Cooper, Steppenwolf, Blue Cheer, Leon Russel. Como compositor, eu tive músicas gravadas por todo mundo desde o Led Zeppelin até o Nirvana, então eu tive uma carreira que deu certo pra mim, pelo menos ganhei discos de ouro e platina. Eu me sustentei com isso e estabeleci meu nome com 53 anos no ramo musical, sete filmes sendo lançados. Eu sou ator também, e estou em um novo filme sobre a Sunset Strip que estreou no South By Southwest algumas semanas atrás, e deve ser lançado ao grande circuito em breve. Eu também sobrevivi a quatro cânceres. Eu ganhei muito dinheiro com composições. Me dei bem.


Sludge: Você acha que haverá outra banda como o Guns N’ Roses?

Fowley: Não, eu acho que Hollywood tem uma história, e uma vez que você a escreveu, é como a Bíblia – se você voltar e olhar, vira sal. Você não retrocede nessa cidade ou você vira sal. Biblicamente, uma vez que o Guns N’ Roses se tornou o Guns N’ Roses, não havia razão para lidar com mais ninguém até onde eu esteja apreciando e gostando da banda. Eles estavam ocupados demais com as pessoas da equipe deles, seja lá quem acabou fazendo isso em definitivo, e ocupados demais com suas carreiras e estilos de vida individuais.

Eu apenas fui alguém que achou que eles eram bons e tentou se envolver por três horas em uma ocasião, e daí fui cuidar da minha vida. Mas eu lembro sim da noite que Axl recebeu o cheque dele da Geffen. Ele entrou no Rainbow enquanto eu estava jantando com um amigo e veio até mim. Ele disse, olha isso, e era um cheque de 37,500 dólares assinado para o Guns N’ Roses, um cheque da Geffen. Ele estava com ele na carteira. Ele me perguntou o que eu achava daquilo.

Eu disse a ele que ele deveria me pagar um jantar, mas ele disse que era de noite, então ele não tinha como descontar o cheque. Eu acho que paguei um hambúrguer ou um sanduíche pra ele e disse: “Eu fico muito feliz por vocês, Axl. Bom pra vocês.”

Que situação estranha não ter dinheiro no bolso, mas estar com um cheque de 37500. No dia seguinte, ele foi ao banco.

Em outra vez, antes disso, eu tinha trombado com Axl e Vicky Hamilton em outro restaurante, o Ben Franks. Eu disse a Axl naquela noite que ele ia ter sucesso, mas que ele deveria ter cuidado com a fama e a fortuna e com o que ele sonhava. Eu achava que Axl poderia ser o filho de Marlon Brando e Janis Joplin, ele parece com o pai e canta como a mãe. Eu nunca vi Izzy e Duff de novo, mas Steven Adler sempre foi amigável, sempre me cumprimentava no Rainbow. Slash sempre foi gentil comigo, mas não saímos juntos.

Sludge: Considerações finais?

Fowley: o Guns N’ Roses foi a última banda de rock do século 20 que significou algo. Eles foram a última. Eu não considero o Nirvana uma banda de rock and roll. O Guns N’ Roses é a última grande banda de rock and roll da história. Ninguém pode tirar o lugar deles. Quando haverá um novo Guns N’ Roses? Não fique esperando. É como Elvis. Nunca, creio eu.

O site estadunidense LEGENDARY ROCK INTERVIEWS, comandado pelo jornalista John Parks tem realizado as entrevistas mais relevantes do cenário do classic rock e do hard rock oitentista desde sua fundação, e gentilmente permitiu que reproduzíssemos alguns trechos traduzidos da conversa que John teve essa semana com a igualmente lendária VICKY HAMILTON, figura carimbada na cena angelena e que tem eu seu currículo passagens como empresária do MÖTLEY CRÜE, POISON e o GUNS N’ ROSES. O que segue abaixo é um pequeno trecho da entrevista original, que pode ser lida na íntegra [em inglês] clicando AQUI.

[...] VICKY HAMILTON é uma conhecedora das personalidades do rock. Ela construiu uma carreira lidando com elas, guiando-as, apoiando-as e às vezes, até cuidando delas como uma mãe. Ela sabe que cartas jogar, tendo feito de tudo, desde jornalismo musical, agendamento de empresariamento de bandas para a Geffen Records e consultoria. Vicky desempenhou um grande papel nas carreiras da maioria das bandas das quais você provavelmente tem camisetas e foi a shows, mas ela sempre será lembrada por ser a única pessoa em Los Angeles disposta a apoiar o GUNS N’ ROSES [pelo qual a banda a agradeceu no Rock And Roll Hall Of Fame]. Entretanto, há muito mais sobre ela do que apenas a janela de tempo com o GN’R. ela trilhou um caminho interessante até Slash e companhia e teve uma carreira brilhante desde então. Tivemos o prazer de conversar com Vicky recentemente, leiam…

LRI: Obrigado pela oportunidade, Vicky! Você é tão ocupada como empresária e criando tudo isso numa época em que as pessoas estão apenas tentando deixar o ramo!

Vicky Hamilton: Obrigada! Eu acho que alguém tem que fazer isso [risos].

LRI: Então você mudou-se para Los Angeles em 1981 e eu sei que uma das primeiras bandas com as quais você trabalhou foi o Mötley Crüe. Como você se envolveu com aqueles caras, pra começo de conversa? Aquela foi uma época muito, muito empolgante da carreira deles.

Vicky: Eu era consultora deles. Eu tinha ficado amiga de Nikki bem no começo, mesmo antes do disco pela Leathur sair e daí fui contratada pelo primeiro empresário deles, Alan Coffman como consultora. Eu os ajudei a arrumar uma gravadora e fiz muito do merchandise de Too Fast For Love. Eu morava em Hollywood, então eu meio que fiquei de babá da banda e ajudei um pouco. Eu também era uma grande, grande fã da música e era compradora de uma loja de discos aqui chamada Licorice Pizza, então eu comprei MUITOS discos do Mötley Crüe e os enfiei espalhados pelas 30 lojas da rede, o que realmente ajudou na carreira deles no começo. O show pelo qual eles ficaram realmente famosos no Whisky, eu tinha armado um baita display na janela da loja para promover o show e o disco. Eu tinha incluído um monte de itens pessoais deles, e chicotes e correntes e Vince me deu uma calcinha roda para colocar no arranjo, que a propósito, NÃO estava limpa, mas eu a coloquei no manequim da vitrine também. Pintamos o logo deles em tinta fluorescente na vitrine e você podia enxergá-lo de longe na rua, então além de vender muitos discos na loja, eu acho que fui um fator que ajudou eles a terem um contrato.


LRI: Eu só acho que aquele é o disco mais puro e efervescente que eles já gravaram. O lado pop dele nunca foi superado e ainda é meu favorito.

Vicky: Sim, tem muito agogô! [risos]

LRI: Eu sei! Você sentia que, apesar da crueza, que eles estavam entrando em algo especial?

Vicky: Ah sim, totalmente. Quando o Motley apareceu, tudo era punk rock e coisas new wave européias como Duran Duran e Psychedelic Furs. Então eles se destacavam com aquelas fitas adesivas, lycra, e o cabelão. Nikki tocava fogo em si próprio e tudo neles era tipo, ‘QUE PORRA É ESSA???!!’. Eu fiquei muito curiosa quando Nikki entrou em minha loja de discos e tinha essa modelo alemã, namorada dele, e ficamos amigos e comecei a sair com eles. Eu fique muito curiosa sobre eles em geral e me apaixonei pelo som. Eu acho que por ser do meio-Oeste, eu era abençoada e amaldiçoada ao mesmo tempo, eu não sei se você concorda, mas… o meu gosto musical na rádio era avassaladoramente comercial. Eu podia ver que apesar da imagem e da pungência, havia comercialidade no Mötley Crüe, que era muito diferente e nova. Era claramente vendável e eu estava pronta pra puxar o trem. Nikki Sixx é um visionário e ele sabia desde o começo aonde esse projeto chegaria. Eu acho que eu simplesmente acreditei nele e sabia que pra onde ele apontasse a mente dele, aquilo iria funcionar.

LRI: Ficava claro que Nikki tinha influências totalmente diferentes que as das outras bandas que estavam surgindo naquela época?

Vicky: Ah sim. Ele curtia The Sweet, New York Dolls, Mott The Hoople e coisas do tipo. Ele curtia mais rock europeu. Eles não tinham medo de fazer produção para um show ou usar maquilagem e tudo isso, mesmo que isso significasse que Nikki apanhasse algumas vezes naquele período por causa da maquilagem e a coisa toda. O que eles estavam fazendo era realmente único e totalmente imprevisível. Não era garantido que daria certo, mas Nikki acreditava e eu gostava disso tanto quando gostava da música.

LRI: Então você sente que Nikki estava realmente focado no que ele queria, não somente em termos de imagem, mas também de música?

Vicky: Sim, ele era a força motriz e escrevia muito e Tommy e Mick eram a usina musical, mas a banda inteira era muito consistente naquela época. O que digo é, no começo, Vince e Nikki não se davam muito bem. Eu realmente duvido que eles se dêem tão bem assim agora somente porque eles são duas personalidades muito diferentes.


LRI: Quando você rompeu com o Mötley?

Vicky: Bem, Allan fugiu com o adiantamento deles e eles ficaram putos e contrataram Doc McGhee e Doug Thal e já que eu trabalhava para Coffman eu meio que saí.

LRI: Eles dedicaram uma música a Coffman chamada BASTARD no álbum seguinte. Ele tem sido demonizado desde então. Quais eram suas impressões de Allan:

Vicky: Ele não era um cara da música. Ele era um cara endinheirado do mercado imobiliário que foi crucial pro sucesso deles no começo porque ele ajudou a financiar Too Fast For Love e ajudou-os a procurar equipamento e coisas do tipo. Ele não era, por nenhuma concepção, um cara da música, um gênio ou uma pessoa do rock. Ele estava apenas seguindo os instintos dele.

LRI: Daí você se envolveu com algumas bandas da [gravadora] estigma, como o STRYPER?

Vicky: Nossa, você fez seu dever de casa, John [risos].

LRI: Sou um grande fã da banda e pra mim eles são algo especial no sentido que eles tinham seu próprio som, um som único e uma imagem muito ousada. Eu duvido que haja outra banda Cristã que tenha aquele tipo de sucesso junto ao grande público. O que você achou quando viu eles na MTV anos depois?

Vicky: Não fiquei surpresa. Os irmãos Sweet tinham algo muito especial e era muito evidente para mim que era apenas uma questão de tempo. Eu não acho nem que o sucesso deles dependia do ângulo cristão, mas se é o que eles tinham em seus corações, quem sou eu pra dizer, “Não façam isso dessa maneira”. Quando eu os ouvi pela primeira vez, eu não sabia de nada sobre as crenças deles.

LRI: Eu sei que se menciona que o seu período empresariando o Poison acabou mal, mas você realmente acreditava neles na época em que poucas pessoas acreditavam na banda?

Vicky: Muito. Eles eram realmente animados e da Pensilvânia [risos]. Nós tínhamos assinado um contrato para uma demo com a Atlantic e eles rejeitaram a banda. Por causa da minha associação com o Mötley e o Stryper, eu conhecia as pessoas na Enigma e nos ofereceram um contrato bem magro, eu acho que era algo em torno de 25 mil dólares, e claro, eles aceitaram. Naquela época, eu não estava me dando bem com Bret Michaels, então eu vendi meu contrato para Howie Huberman, que era meu patrono financeiro, então ele assumiu a função dali. Eles foram lançados pela Enigma, que depois foi comprada pela Capitol, e daí estourou.


LRI: Bret fez um nome pra ele fora do Poison e muito disso tem a ver com essa imagem amigável e amistosa, mas ele deve ser pelo menos meio difícil de lidar nos bastidores, ou criativamente. Ele é petulante?

Vicky: Vou colocar da seguinte maneira, John, todo mundo acha que Axl Rose é a pessoa mais difícil que eu já lidei, mas isso NÃO é verdade. Essa pessoa foi sem dúvida alguma Bret Michaels [risos].

LRI: [risos] Wow… ok, ISSO é interessante.

Vicky: [risos] É verdade. Diga o que quiser, mas pelo menos Axl é fiel ao coração. Você sabe qual é a dele porque ele te conta. Ele é honesto demais. Bret é muito mais malandro e não é UMA BOA PESSOA nesse sentido. Aquelas bandas estavam praticamente em guerra, uma tentando superar a outra. Era muito ensino médio [risos]. Claro, todo mundo sabe que Slash fez teste pro Poison e eles iam aceitá-lo, mas ele não ia fazer a parada no meio do show onde ele dizia, ‘Oi, meu nome é SLASH!!!’ e ele disse, “eu não vou usar essa porra de maquiagem.” Eles acabaram com C.C. porque ele se encaixava melhor e Slash não ia abaixar as calças pras ‘regras’ de Bret Michaels.

LRI: Eu sei o que você quer dizer. É exatamente como me sinto, eu tenho todas as coisas do pré-Poison, do PARIS e elas tem um som mais direto e básico como o do Mötley. Como se eles tivessem sentado em círculos e ouvido ‘Shout At The Devil’ sem parar.

Vicky: [risos] Só o que eu posso te dizer é que eu fui até Harrisburg, Pensilvânia, com eles no começo quando eles estavam gravando covers do Mötley Crüe em fitas de vídeo. Eu tenho certeza que eles queimaram essas fitas porque eu dizia “Não deixem que ninguém veja isso!” [risos]. Era tosco demais.

LRI: Havia um vídeo no YouTube bem parecido com o que você está descrevendo. Eu acho que o vídeo que eu vi era de uma música chamada “Rock Like A Rocker” ou algo assim… Matt e Rikki e a banda eram bons, mas era um orçamento bem baixo e sim, tem várias tomadas deles tocando ‘Looks That Kill’ ainda como Paris.

Vicky: Afffeee.

LRI: Quando você e Bret tretaram foi por volta da mesma época eu você se envolveu com o Guns N’ Roses

Vicky: Sim. Bem, eu sempre tinha sido fã de Slash e do modo dele tocar. Eu sempre fiquei de olho no que ele estava fazendo e agendava shows pro Hollywood Rose quando era agente da Silver Lining Entertainment, o que eu também estava fazendo quando trabalhei com o Stryper. Axl e Izzy vieram e tocaram a demo deles pra mim e era maravilhosa e eu arrumei algo pra eles de cara. O primeiro show foi no Madam Wong com o Candy e daí eu marquei pra eles com o Black Sheep, a banda de Slash no Music Machine. Por volta do ponto em que Chris weber saiu do Hollywood Rose e Slash entrou no lance eu comecei a trabalhar com eles. Eu realmente gostava de trabalhar com Chris e Slash. Eu achava que Chris era um compositor muito bom e eu ainda sou amiga dele até hoje. Foi muito engraçado porque nossas trilhas sempre parecem se cruzar. Bem, depois daquele tempo, provavelmente dez anos depois, eu estava trabalhando com uma banda e na Inglaterra eu vi essa banda cujo guitarrista era… Chris Weber. Eu pensei, ‘Puta merda!”[risos]. Chris é um grande sujeito e agora ele trabalha numa clínica de reabilitação. Ele é só um cara legal que foi muito importante pra todo aquele tempo e lugar. Sem dúvida alguma. Ele co-escreveu algumas daquelas músicas em ‘Appetite’, então ele é um compositor talentoso e um cara talentoso no geral.


LRI: Eu não vi a banda até a época dos Illusion, então não consigo imaginar o que você viu no Troubadour. Você chegou a ver o GNR em um show ruim ou relaxado antes dos dias de ‘Appetite’?

Vicky: Eu não diria relaxado, mas talvez cru, mas mesmo bem no começo eles eram brilhantes. Todo mundo sabia que estava assistindo a uma trombada de trem, mas você não conseguia tirar os olhos deles. Era CRU. Havia uma sensação de perigo e havia tanta mágica e brilhantismo naquela formação original. Aqueles cinco caras eram o ingrediente mágico. É duro… é duro descrever o que era aquela  banda, mas era maravilhosa e era mágica pura. Ninguém pode tirar isso deles. Eu fui ver os empregados do Axl no Forum janeiro passado. Todos aqueles caras na banda de Axl são tecnicamente grandes músicos, mas aquela mágica e aquele fogo já eram mortos e enterrados. Não havia fogo. Não é o que o GNR era quando eles eram jovens e vivos. Aquilo era a vida real deles, aquelas músicas eram a vida deles, não era apenas um bando de bons músicos tocando um show, era REAL. São aqueles cinco caras ou nada, eu digo que Matt Sorum é um grande baterista, mas não era a mesma coisa sem Steven. Steve tinha um modo de tocar que era estilisticamente importante e seu espírito e sua centelha levavam aquelas músicas até onde elas precisavam chegar. A amizade de adolescência de Steven com Slash deu certa dinâmica àquilo e daí quando Izzy saiu, ACABOU porque ele era uma força determinante para a composição e era amigo de infância de Axl. Quando Izzy saiu foi que Axl surtou de muitos modos. Quando os Illusion saíram, eu tinha me afastado pra tão longe de todas as coisas Guns que foi interessante. Axl tinha esse lance meio Elton John rolando [risos] e tecladistas e backing vocals. Não era a mesma banda de rock com a qual eu tinha trabalhado, não estou dizendo que não havia brilhantismo naqueles discos, porque claramente havia, contudo radicalmente diferente. Quando eu ouvi Axl tocar ‘November Rain’ pela primeira vez no piano eu fiquei abismada pelo mesmo cara que podia escrever coisas como ‘Appetite For Destruction’ pudesse tocar uma balada ao piano lindamente arranjada, mas eles estavam claramente indo em uma direção diferente.

Carta de Tom Zutaut para Vicky logo após ter visto um show do Guns N’ Roses:


LRI: Alan Niven mencionou que o atrás de Axl para os shows é meio que uma forma de fobia de palco ou ansiedade de tocar mais do que qualquer outra coisa… você via algo desse tipo?

Vicky: Bem, a princípio, ninguém teria que agüentar esse tipo de merda antes dele ficar famoso, mas sim, eu entendo o que Niven quer dizer com isso. Digo, muitas pessoas que são super famosas como Axl têm ansiedade para tocar, elas simplesmente aprendem a lidar com isso. Axl é uma pessoa complexa, bi-polar, tem muita coisa rolando ali [risos].

LRI: Eu gostei de Chinese Democracy e na verdade fui e paguei alto pelo vinil, que é o único formato pelo qual estou disposto a pagar. Eu sei que algumas pessoas estavam zoando a fazendo piadas pelo preço do CD ter sido reduzido pra 99 centavos pela Best Buy, mas eu fiquei chateado pela marca ter decaído tanto. Você acha que ele ainda tem algo a oferecer artisticamente?

Vicky: Eu acho que ele poderia, mas eu acho que ele precisa fazer as pazes com as quatro pessoas daquela banda e eu acho que a raiva dele tem destruído ele de dentro pra fora. É o que eu acho.

LRI: Marc Canter meio que indicou em nossa entrevista que as coisas que impedem uma reunião do Guns N’ Roses não são tão complicadas, que são na verdade bem simples e meio que baseadas em mal-entendidos que poderiam ser trabalhados por uma terapeuta de casais entre duas personalidades orgulhosas em Axl e Slash. Você concorda?

Vicky: Orgulho? Pode ser mais uma questão de ego. Eu estou claramente no time de Slash e eu sei que Slash faria isso, mas Axl é simplesmente… quero dizer, ele mandava expulsar pessoas do Forum por vestirem cartolas [risos]. Digo, chegou ao ponto do absurdo e mais. Eu só não sei se Slash se curvaria a Axl e não acho que Axl permitiria uma reconciliação de qualquer outro modo. Tornou-se uma teia de aranha. É uma merda pros fãs porque não só eles não vão se reunir como eles não podem chegar a um acordo para lançar aquele filme com material da turnê dos ‘Illusion’. Eu acho isso muito triste e o mero fato deles não poderem subir juntos num palco e aceitarem o lance do Hall Of Fame juntos foi simplesmente TRISTE. Eles fizeram o maior disco de hard rock da década e deveriam poder estar todos na mesma página sobre isso e ficarem lado a lado ou pelo menos ostentar isso com orgulho por uma noite. Os fãs querem isso tanto e é tão triste que eles não conseguiram deixar suas diferenças de lado nem por UMA música.

LRI: Eu não sei quantas incontáveis vezes você teve que responder isso, mas em termos de sua saída do empresariamento do Guns N’ Roses, que foi muito feia e injusta, e não necessariamente por todos os indivíduos da BANDA, mas no sentido de que você foi ESFAQUEADA PELAS COSTAS pelo advogado Peter Paterno. Você contratou o cara e ele te fodeu gostoso e começou a representar a banda. Eu não consigo imaginar o que passou pela sua mente ou como você se sentiu e você teve bastante tempo para pensar no quão filho da puta foi aquilo. Steven disse que ele ainda achava que tinha sido horrível quando falamos com ele, que foi uma das razões pelas quais ele quis mencionar você na cerimônia do Hall Of Fame.  Como você vê o lance todo do Paterno hoje em dia?

Vicky: Essa é uma pergunta muito boa e na verdade ninguém jamais me perguntou isso antes. Eu estou escrevendo um livro e realmente planejo despejar a verdade porque é o que de fato aconteceu. A entrevista que fiz pro [site] Metal Sludge foi a primeira na qual eu jamais mencionei isso e essa é a primeira vez que alguém me pergunta isso. Na época, minha principal preocupação era certificar-me de que a banda estava segura e eu achava que ele era o cara indicado pra isso. Eu nunca sonhei que no processo, ele ia me foder ao ponto que ele fez. Por outro lado, na época, eu sabia que o Guns N’ Roses seria famoso, mas eu não sabia que eles venderiam 150 MILHÕES DE DISCOS. Não há maneira de saber até que grau alguém vai ser famoso. Eu tinha visto o Mötley Crüe e o Poison, mas eu ainda não tinha idéia de que o GNR seria tão enorme como eles ficaram. Em minha opinião, toda banda com a qual eu já lidei era bastante talentosa, mas elas não chegaram àquele ponto. O Guns N’ Roses era tão volátil que eu fiquei surpresa por eles terem todos sobrevivido para ver aquele tipo de sucesso. Era realmente difícil de prever qualquer coisa com eles e naquela altura do campeonato só o que eu queria era um emprego de relações públicas numa gravadora, já que meu trabalho de empresária não estava pagando minhas contas. Eu ansiava pela segurança de uma gravadora. Sou grata por ter a vida que eu tenho, verdade. Claro que não vou mentir e dizer que eu não gostaria de uma casa em Malibu e segurança financeira, mas estou feliz. Mesmo com tudo que eu estou fazendo e tenho feito, tudo é financeiramente desafiador para mim, então teria sido ótimo ter aquele tipo de segurança, mas eu ainda estou na luta e eu não ouço a gorda cantando. Eu estou escrevendo um livro, eu acabei de escrever meu capítulo sobre o Mötley Crüe foi tão bom que eu senti como estivesse usando cocaína quando eu terminei [risos]. Eu não usei cocaína por muito tempo, mas quando eu usei, foi nos tempos do Mötley e eu comecei a ter sangramentos no nariz e foi o suficiente para mim. Mas aquele capítulo do Crüe trouxe de volta aquela mesma sensação quando eu terminei de escrevê-lo [risos]. Eu estou fazendo um documentário, eu escrevi uma peça musical que tem um grande diretor. Fiz alguns roteiros e estou empresariando uma grande banda, a THE ART, que eu acredito que possa ser a próxima grande banda do rock, eles são bons assim.  Eles moram na Austrália e é difícil pra mim empresariar uma banda que mora na Austrália, mas eles são muito bons. Alguém me disse, “Meu deus, Vicky, você mora em Los Angeles, você não podia pegar uma banda do seu quintal?” Mas o THE ART não mora no meu quintal, eles moram em Sidney, Austrália [risos]. [...]